a vida me faz delirar
me descubro
todo dia
é inédito
dor ou alegria
ou tudo que cabe
no meio disso
a dureza da palavra junto à maciez de toda coisa inventada
a vida me faz delirar
me descubro
todo dia
é inédito
dor ou alegria
ou tudo que cabe
no meio disso
a vida me toca
na dimensão da poesia
pra transbordar me arrepio
em palavras
as vezes coisa pequena casual da rotina simples ordinária
as vezes extravagante gigante ofegante colorido extasiante
dor alegria
os momentos que escrevo são minoria
que por serem forte preenchem
muito espaço
ainda assim apesar de
a maioria dos momentos
em que sou tocado pela
poesia eu
apenas vivo
não fugir nem encarar muito fortemente a palavra
com ela tudo de brincadeira
aproveitar o tempo da semente
isso que pode vir a ser qualquer coisa
fruta podre comida de bicho
fazer mais que falar
o pensamento é um balde cheio d'água
a palavra é a roupa pra lavar
passa os dia tudo chovendo
desperdício de tempo não
mas um bocado de frase sem ter pra onde bodejar
água seguindo o seu caminho
vai desdobrando as raivas de dentro
palavrão do tamanho do mundo
desejar tudo de ruim
fogo ardendo gelado o coração um pano de chão molhado
um pião rodando num quarto fechado até que passe que passe que passe
o balde escorrendo faz tempo
grito entalado feito madrugada esperando o galo cantar
encanto sem letra nem palavra nem frase
um pouco do que se aprende observando e fazendo
por isso essas letra aqui tudo rebolada sem dizer nada
acumular besteira é a aptidão primeira de tudo q pode ser descrito
e jogar fora é a brincadeira de maluvido
julho 2023