sábado, 22 de dezembro de 2018

te

quero ter tempo para imaginar
o faço com coragem e um pouco de medo
tenho vontade!
tive medo de escrever porque acredito que minhas palavras são um tipo de profecia
às vezes tento voltar atrás, mas o que foi escrito, fica.
então tenho tentado ter mais cuidado. acabo que já quase não escrevo... e fico a pensar, será que se eu deixar de escrever a profecia deixa de se cumprir? desconfio que não, mas por via das dúvidas...
hoje quis fazer diferente... meditei sobre algo como mudar os percurso da história. os trocadilhos me inspiram a criar um atalho. quero chegar, tocar, cheirar.
ir com tranquilidade como se nos fosse costumeiro isso de se entregar.
hoje na lua cheia faço um feitiço
.
.
.
vamos alcançar!



sábado, 8 de dezembro de 2018

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

estando perto quero estar mais perto
alcançar o que não se fala
mas
comunica

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

me conta um segredo

a um dia da lua cheia
meu coração não fede e nem cheira
alice ruiz diria
alguma alma, mesmo que penada, me empreste suas penas?

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

nove horas
noite em bananeiras
vontade de estar na rua
contando vagalumes e estrelas

sábado, 3 de novembro de 2018

um dia
quando tudo estiver mais calmo
eu vou escrever pra ti
com detalhes
dos caminhos impercorríveis
das lembranças que vão e das que ficam
dos por-do-sóis
dos por-da-luas
a noite nua
carrinhos de mão cheios de imaginação
o dia que não vai nascer
a noite que não vai dormir
eu vou escrever um dia
no mais, estou tranquila quanto a isso
lembro do sonho que tive
nele só poderia te ouvir
havia uma parede
e eu chamava por ti
mas tu não vinha
mas tu não vem
e tá tudo bem



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

uma dor no meu dedo anelar esquerdo

diz-se que por este dedo
se passa uma veia que sai dali
e vai direto ao coração
é nele onde são colocadas as alianças
e outros adereços bregas

há uma dor no meu dedo anelar esquerdo
fora isso há fora de mim
tanta coisa acontecendo, notícia, geografia física, casa, amiga, tiro, pedra, fascismo
que não consigo processar
mas meu corpo tem tentado me falar
há uma dor no meu dedo anelar esquerdo

sábado, 20 de outubro de 2018

andar amada

o país pegando fogo
e sei lá como
ainda tenho cabeça
de pensar em poesia
há uma rua no meu imaginário, dobro sempre que ela me chama. as portas pressa rua me parecem sempre abertas. e aí que andando sozinha à noite numa cidade que pouco conheço, perigos à esquina,
me deixo ser levada por essa vielinha
que me chama lá dentro. dobro nela antes de dobrar na rua do medo. ela me puxa conversa sobre amor, eu que me faço toda ouvidos quando alguém me começa a contar de seus amores
vivos ou já vividos.

gosto de acreditar
que a melhor forma de conhecer alguém é observar a forma como ela fala de seus amores. quando começo a amar alguém reverencio antes todas as pessoas que ali naquele corpo amaram ou amam, como um gesto de respeito e licença. nisso não me atenho só aos amoresromânticossexuaisseiláoque, gosto de me atentar a todas as variações em que ele pode se mostrar. lembro de meus amores e converso com eles à distância.
o amor sendo meu maior escudo, acabo por me sentir protegida
aos que já foram aos que estão e aos que virão
agradeço e os saúdo.
saio pela rua trilhando mapas que a geografia não alcança, de peito aberto
avanço
.

campina grande, 19.10.18}

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

afio . confio

estupidez minha
talvez
há o que minha imaturidade não alcança
ainda
preciso crescer
e crescendo olho a lua
aumenta a proximidade
entre eu e ela
martela em mim
o desejo do que é mistério
entre as facas y canivetes
que caem do céu
há vagalumes y estrelas
que me guiam ao
inefável

.chegarei
meus pés
número 34
estão tranquilos
quebraram na última semana
duas chinelas
caminharam muitos quilômetros
estão vivendo bem suas vidas
não estão tristes
eles me ensinam a sorrir enquanto caminham
ir é o caminho
e nós estamos indo

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

jô tem olho de estrela e coração de tambor
se eu penso nela mais tarde a encontro
parece um tipo de encanto
gosto dos seus ouvidos e do jeito que suas mãos tocam o mundo
junta a gente pensa em passarinho, ovo, caixa d'agua, mãe, bicho, batuque, erva doce, cartas, devagarinho
vamos rindo a vida, acreditando que nossos pés são
uma ponte pro que se recita
as vezes penso que a gente é irmã
mas nunca disse isso a ela
um dia eu digo
jô, sua vida me fortalece por dentro
e me faz crescer por fora

terça-feira, 9 de outubro de 2018

como reagir?

não estou feliz
e quero poder dizer isso
sem culpa
sem precisar pedir desculpa
quando eu nasci
não sabia pensar
minha mãe sim
talvez ela tivesse triste
um tempo antes deu nascer
isso pode ter me ensinado
a rir muito para alegrá-la
hoje eu não tô feliz
sinto medo saudade
vulnerabilidade
mas não quero a proteção de ninguém
quero me sentir segura por ser eu
pela cor da minha pele
pelo que tenho entre as pernas
por quem escolho amar*
pelo lugar de onde vim
não quero que um Senhor
venha me ditar
o que devo fazer
pra onde devo ir
que se eu não obedecer
ele manda me bater ele manda me matar
ele me tira os direitos de ser
mas se de duas pessoas
uma me odeia
isso quer dizer
o que?
não sei o que pensar
mas eu já sei pensar
me lembro de pensar a primeira vez aos 3 anos
hoje eu penso de uma maneira mais elaborada
talvez menos objetiva
acontece que penso
mas não sei o que fazer
sinto, então
medo dor saudade vulnerabilidade
vontade de ir de gritar resistir
ligo pra minha mãe ela ri
diz que ta animada
não vai desistir
.....
acho que ela quer me alegrar
digo que tô triste
e ela diz
não fique assim.

domingo, 30 de setembro de 2018

achar o espaço
saber o lugar da vírgula dos pontos
não invadir
falar com calma
olhar como quem não teme
respirar
olhar o horizonte
imaginar
estar tranquila
sim ou não
há infinitos caminhos
sim e não

observar com atenção delicadeza e cuidado
sobretudo atenção
até descobrir detalhes

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

somos todOs iguais?

quantos abortos clandestinos quantas mulheres mortas negras pobres quantos socos na cara mesas quebradas portas arrombadas vozes silenciadas liberdades privadas corrente estupro tiro corpos negados
tiveram que existir
pra tu 
vir aqui 
com essa voz essa cara esse olhar
me dizer
    nem eu
    nem meu vocabulário
    nem minha piada
    nem minha piroca
    nem meu pai
    nem meu amigo
    nem meu umbigo
    nós não temos nada a ver com isso

domingo, 23 de setembro de 2018

cartografias possíveis

a colonização escondeu de nós muitos segredos
os mapas que faço ou imagino
querem em suas rotas desvendar segredos descolonizar caminhos
inventar novas formas de ir e vir
estar tranquila quanto as distâncias geográficas
compreender que nada mais é
que a necessidade nossa de percorrer livre alguns dos infinitos caminhos que nos é oferecido
sem que seja preciso marcar território nos lugares ou pessoas das quais atravessamos
crio mapas afetivos com novas formas de territorializações
desterritorializo se preciso
e quando menos espero
a gente acaba por se encontrar numa nuvem, texto, cisco de passado-futuro, mensagem enviada nalguma rede social
descolonizar os carinhos talvez passe também por isso:
descobrir novas maneiras cartográficas de como encurtar os abismos que existem entre n ó s
sem que precisemos maltratar prender torturar nossas estradas e mapas presentes nas linhas de nossas mãos

respeitemo-nus

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

plantas trepadeiras querem alcançar a lua
há quase muita ciência nisso que agora vos falo
a botânica me umedece os buracos mais secos
as portas entreabertas dentro de mim
é um espaço destinado a imaginação
há plantas trepadeiras gigantes que tocam tudo que desejo
os olhos as mãos os pés o intocável o indizível a linguagem telepática
há muito segredo dentro de uma semente coberta pelo fruto
ancestralidade futuro
as raízes indo cada vez mais fundo sentindo o gosto do mundo
minhoca terra esterco formiga chuva cheiro de fertilidade
vontade de lamber por a boca comer
cócega astral carinho no pescoço
não me deixa triste os processos naturais
de ser corpo alma vontade saudade
é como os pontos de crochê quando vão se encontrando
tecer é a arte dos encontros
plantas companheiras me indicam o que tô precisando
aí quando vejo que meu caminho ta cheio de amaranto!!!
porra
............
é sintonia geral
o caminho das possibilidades me ensina a fazer um manejo agroecológico
no solo de nossos delírios sonhos quereres
acabo às vezes por ficar com esse gosto de lembrança na língua
acho bom
propriedades organolépticas excitam o meu lado esquerdo do peito




quinta-feira, 6 de setembro de 2018

florestas inabitadas
árvores flores frutos
semente
o corpo
animais selvagens transitam
medo coragem medo
coragem coragem coragem
aos poucos
teus dedos
chuva lençóis freáticos
permeabilidade
dentro
cíclico 
cartas de tarô
encruzilhada no meio da mata
caminhos distintos
segredo
distância
vontade mapa inconsciência
espinho girassol mandacaru florido folha de palma
lucidez vento sopra sinal 
imaginação fértil
sementes brotadas
vegetação primária rica
biodiversidade
saudade tranquila
peito querendo abrir
peixes de água doce e salgada aproveitam por min 
céu nuvem cor pétala pedra tronco areia gota 
transmuto-me pra tocar
teu corpo
futuro
agroflorestas bioconstrução
açude cheio
transitoriedade
açude seco
noite vagalume mãos
dia clorofila olhoserupção
transitoriedade
sucessão vegetal justiça social
partida
chegada
possível chegada
prevista partida
subir na árvore mais alta para decid ir


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

penso agora em todas as pessoas que deveriam estar escrevendo um trabalho científico e, assim como eu, estão fazendo poesia.

domingo, 19 de agosto de 2018

as coisas que não sei falar
as coisas que falo sem pensar
quando falto com sensibilidade
os desenhos que não sei desenhar
as pinturas que não posso pintar
por vergonha
por medo de me descobrirem
o email que não vou mandar
a saudade que não é recíproca
o texto que não sai
que não sai
que não sai

ponto
reticências

há um relicário dentro de meu peito
junto os espinhos
e os assobios que ainda não sei cantar
eu guardo aqui tudo que não me serve
e que não sabe como sair

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

licença

enquanto você falar
eu vou te escutar
que fale 
que chore ria se emocione ao contar os detalhes de quantos dias quiser me expor
eu não ligo 2 3 5 horas seguidas
conta me conta
eu tenho muitos ouvidos pra ti
saber da tua história da tua memória família amigos 
e quando você calar
eu vou te olhar
pra te conhecer lá dentro
lá dentro
no fundo
se você me deixar entrar
claro
peço licença e piso com cuidado
entrarei
com
delicadeza

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

continuo a de ti gostar
porque tu não colonializa meu pensamento

não gosto de ser monotemática, e as paixões
geralmente são assim, num são?
parece que num tem mais nada e qualquer coisa é tudo
isso adoece nosso lado esquerdo
acabamos por ficar meio manco meio torto

eu penso em ti só vez em quando
quando cai um cisco de lembrança nos meus dois olhos
deixo que fique lá até a hora que queira
e que vá quando assim se sentir bom de ir

sem invadir nem expulsar
é assim que gosto de ti

terça-feira, 24 de julho de 2018

parentesis

I
fico chapada. sim, eu tinha parado de fumar, mas enfim. fico chapada e quero dar a tudo um significado. cada detalhe, olhar, energia, vultos, padrões de comportamento.... tudo de oculto ou pequenininho. então. me observo, tento não me enganar, ser sincera comigo e pá. daí que acontece de lembrar porquê tinha parado de fumar. era isso! aquilo outro la... mas já que estou, vamos lá.
porra veio, é tanta coisa que num tem significado de porra nenhuma pra nois, num é não? que viagem foi essa de procurar se descabelar por não compreender o que kkk sei la vei,
enfim me controlo
quero parar de escrever 

II
lembro de ti
mas dessa vez não quero escrever sobre os detalhes da sensação daquele dia suposições etc não quero
é muito fácil fazer poesia assim

III
queria mesmo
dizer sei la sabe
talvez com um haicai
simples direto tocar na ferida e depois lamber delicado
sem detalhes
de forma sincera

IIII
mas não sei
tu não me chega assim
infelizmente
fico lembrando de detalhes
subconscientes
e me desconserto toda
que porra

IIII
penso em parar de pensar
penso em parar de pensar que devo parar
.
to chapada e gosto de confundir
já sei, vou parar de fumar
mais
uma
vez

sexta-feira, 20 de julho de 2018

agradeço

peço um sinal ao mundo
peço muito um sinal ao mundo
recebo quando percebo:
!eu estou bem!


(meus ouvidos, junto com a lua, estão crescendo

segunda-feira, 16 de julho de 2018

latifundio

o amor romântico
é uma fazenda de 3000 hectares
tudo cercado
2 donos
muitas cabeças de gado
e monocultura de soja

quinta-feira, 12 de julho de 2018

escrevo

as vezes sou um pouco autoritária comigo. tenho me perguntado ate que ponto devo...
bem, tenho consciência de que quando escrevo tenho acesso a partes do meu inconsciente de nem tão fácil acesso, de modo que ao mesmo tempo vou construindo meu subjetivo. por isso o meu cuidado... devemos aprender com o passado, sim? então...
e aí que vem a vontade de escrever pra ti sobre ti sobre saudade distância vontade ausência memoria semanas meses 
e tenho estado a pensar.... será?
decido que vou esperar mais um pouco... ver o que vai rolar... o mundo é tão grande... tem tanta gente incrível...
e não sofro. me experimento, mas não sofro. quero poder viver uma paixão ou uma desilusão de forma tranquila, compreendendo a transitoriedade e agradecendo o encontro.
somos possibilidades. não preciso ter medo.  
sigo.

quinta-feira, 5 de julho de 2018


mas
no fim
tudo isso é bobagem.
o mundo segue
tudo passa
a gente muda
se muda
chove faz sol
chora ri
se encontra
se desencontra
luta
grita
pede por favor
olha no olho
pega na mão
pede desculpa
abraça
e da tchau

oi

segunda-feira, 2 de julho de 2018

de todo lo que tu acostumbras soy contradición

há um fio invisível que não nos enlinha, contraditoriamente, nalguns momentos, é ele que nos conecta
fiz nosso mapa conjunto,
nada indicando grandiosidade
nos atentamos então aos detalhes
olhos, mãos, ouvidos, língua, cuidado
tua boca a me dizer palavras em outros idiomas, ia me deixando curiosa
fui aprendendo
ganhei muitos presentes
as coisas pequenas me fazem lembrar que é grande demais o mundo
e limitada minha visão
observo

cresci junto da lua
sob a lua cheia, noite clara no sertão
não mais temia tuas mãos
deixei que entrasse que tocasse
água demais, o sol, teu ascendente, tua lua
acabei por ficar também, molhada
acontecemos com o chacra cardíaco e isso em mim foi novidade das mais saborosas
logo eu, já tão acostumada a amar com o plexo solar
não fosse minha tatuagem inflamada, minha boca calada
eu diria que há um lugarzinho no futuro esperando por nós
mas bem... sinceramente me acalma saber que nascemos fadados a esse curto espaço de tempo. foi gostoso.
me despeço com um gosto doce na boca,

não vou te esquecer.

domingo, 24 de junho de 2018

vamos acontecendo

as 07:07 do dia 21 sol entra em câncer. já não me escondo tanto, o dia se segue com esse gosto de água na boca, os futuros também serão assim, pressinto. mais tarde a noite mais longa do ano. tu por aculá. resignificamos as noites. dormimos cedo. durante o dia tudo mais aguado. vou me descobrindo. ao dormir, minha rede olha a tua. é lindo o céu estrelado do sertão. penso, às vezes, no amanhã. tento sonhar. talvez isso signifique ir construindo pontes antes mesmo de. vislumbrar, sei lá.
me deixo ir,
mas bem devagarinho assim
no meu ritmo.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

sol está em gêmeos, minha casa 5. escrevo quase todos os dias quando o sol anda por aí.
há alguns dias uma mulher leu minha mão. nessas horas meu coração sempre acelera. segundo ela, eu me apaixono muito fácil, vou ter uma vida comprida, tenho frequentemente meus caminhos travados, mas que é um reflexo de como eu me posiciono no mundo e que, terei, de grande, uns 3 amores, mais ou menos.
dias antes me tiraram um tarô, nada perguntei, só ouvi. na ultima carta, a do futuro, uma roda da fortuna. que nessa posiçao indicaria Talvez(?). fiquei tranquila com as colocações que me foram dadas e mais uma vez impressionada com a nossa capacidade humana de se fazer de doida, ainda que as cartas nos falem olho no olho o que precisa ser dito. não é a primeira vez que as cartas não mastigam a comida por mim, esse trabalho é meu. são precisos muitos ouvidos.
poderia eu, ter puxado outra carta, mas decidi que não. estava satisfeita. ainda que até hoje fique a pensar... o que me diria aquela outra carta lá.... enfim...
sujeita de minha história, entendo
só fluo se tiver ouvidos pra me escutar. algo a ver com comunicação, Vênus na casa 3, amor próprio etc...

sábado, 16 de junho de 2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

tantos amores nos perpassam a vida
tantas dores nos perpassam a ida
......... mas também a vinda, ! ora
na cidade grande
andamos com medo
são tantos os segredos
não precisaria ser assim
penso
hoje uma data comemorativa capitalista
me rodeia
estou de boa
mas é tanta dispersão de energia
que porra!
tento ser compreensivo
e me faço de ouvidos
sim, nós não precisamos
dar moral ao conservadorismo
sinto muita gente
me encolho todo
depois fico bebada
tento dar sentido
essa é uma mania minha
mas sei, há o que não tem sentido nem direção
as flores nos ensinam
depois de um abraço
pouca coisa precisa ser dita
medito
e
te deixo ir

sábado, 9 de junho de 2018

simples

te escrevo pra te guardar em algum lugar, rede social, nuvem, canto da memória. ainda que dificilmente te esqueça, é provável que daqui uns meses também não mais lembre de ti. talvez um dia esqueça teu nome, as tatuagens, as bobagens ditas, já que devido a equações geográficas, são pequenas as chances de nos reencontrarmos por aí. mas tu há de estar presente de alguma forma como sei lá um flash de luz poema em mim.
então escrevo a ti uma carta extraviada que tu nunca lerá, tampouco desconfiará de sua existência.
vislumbro um horizonte bonito.
a noite nos traduz em línguas que não sabemos falar.
sinto.
que encontro generoso. me faz acreditar em seres astrais nunca vistos ou degustados. foi de uma sensibilidade que me leu de um jeito tão novo, delicado. tentei nem de evitar.
como uma flor que se abre é assim que te penso a viajar o mundo...
não sei quem vai se despedir primeiro, se eu ou se tu,
mas, sinceramente, pouco importa ou janela.
vale mais a caminhada a estadia a energia e a calma e todas suas entrelinhas estrelinhas ......
valeu!


sexta-feira, 8 de junho de 2018

ainda que eu não saiba lidar com meus desejos
ainda que não tenha ouvidos para me escutar
ainda que me seja incerto os caminhos que hei de pisar
espero que
,não como quem espera
mas como quem deseja,
céu estrelado caminho iluminado estrada estrada estrada

quarta-feira, 30 de maio de 2018

translúcida

o gosto de cigarro não sai de minha boca. volto pra casa pensando E se, por acaso, eu soubesse escrever em terceira pessoa? os pés dos pensamentos tropeçam e acabam por concluir que não chegarei lá. peço calma, sobretudo calma.
tive que ver, hoje, de novo, pra, na minha prepotência, entender. é sobre mim. pra, na minha insignificância, entender. isso tudo não tem nada a ver comigo, com eles, provável que sim. pra, na minha humanidade domesticada, entender. eu não entendi nada.
acho que é mais ou menos por aí. morno. meio termo. lua fora de curso.
MAS É LUA CHEIA, PORRA!
no fim da noite deito sozinha e é bom. não tenho medo de ser sozinha, me digo várias vezes ao dia.
a cidade grande me faz ir dormir com esse gosto de cigarro na boca. calma!
preciso ser sincera contigo e acho que não vou conseguir. não com palavras. mas quero ainda ter a oportunidade de.
desculpa.
sou imensamente grata.
te amo
de forma livre e orgânica.
às vezes, desejo às outras pessoas o que acho que as ajudaria no processo. ainda que muitas vezes nada tenha a ver comigo. ando na rua desejando a desconhecidas
coragem, vontade, luz, vida, piscadas astrais, afetos, animo..... enfim
e aí que rolou de hoje, desejar a ti, de forma arrogante(?), lucidez. pensei baixinho, como quem relembra segredos.
me perguntei, no auge da prepotência, se Aquilo Lá foi pra não me esquecer ou foi pra se lembrar? kkk
o negócio é que, depois percebi que não cabe a mim esse lance de te desejar o que maybe fosse bom pra mim.
alivei o peso que trazia nas costas depois dessa frase.
e memorei as ocasiões em que estive equivocadíssima a respeito dos caminhos que estão paralém de mim, que passado um tempo, olho de longe e, sinceramente, acho até bonito.
me conforto.
estamos nos caminhos certos.


sigamosssx

segunda-feira, 21 de maio de 2018

voemo-nus

declaro meu afeto, minha dor, minha solidão, meu desejo, minha insignificância, minha cor
te declaro sem medo
das contradições, das contravenções
te declaro porque tenho coragem de te olhar nos olhos com verdade e só por isso não penso mais no que não é, no que não foi dito, no que vai ser, no que já foi
porque estou aqui
e amanhã quando não mais estiver, hei de estar declarando-me ainda a outras paisagens, sem peso, sem culpa
sem contrato
só contato
.
depois do abraço, abro os braços e vôo
bicho-solto que sou
isso não me tira a profundidade do encontro
.sigo

nos respeito
e nos reverencio
estando aqui
ou aculá

domingo, 13 de maio de 2018

é que não sou nada disso
que penso que digo que tento
é que sou nada disso
que sinto que quero que tenho
é mentira minhas palavras minhas mãos posicionadas
eu deitada na cama só pensava em mentiras
verdades inventadas para dormir melhor
deitar melhor
caber ali
mas eu preciso contar a verdade
é que não sei quem sou

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Ainda Assim Eu Me Levanto – (“Still I Rise”)

Você pode me inscrever na História 
Com as mentiras amargas que contar, 
Você pode me arrastar no pó 
Mas ainda assim, como o pó, eu vou me levantar. 
Minha elegância o perturba? 
Por que você afunda no pesar? 
Porque eu ando como se eu tivesse poços de petróleo 
Jorrando em minha sala de estar. 
Assim como lua e o sol, 
Com a certeza das ondas do mar 
Como se ergue a esperança 
Ainda assim, vou me levantar 
Você queria me ver abatida? 
Cabeça baixa, olhar caído? 
Ombros curvados com lágrimas 
Com a alma a gritar enfraquecida? 
Minha altivez o ofende? 
Não leve isso tão a mal, 
Porque eu rio como se eu tivesse 
Minas de ouro no meu quintal. 
Você pode me fuzilar com suas palavras, 
E me cortar com o seu olhar 
Você pode me matar com o seu ódio, 
Mas assim, como o ar, eu vou me levantar 
A minha sensualidade o aborrece? 
E você, surpreso, se admira, 
Ao me ver dançar como se tivesse, 
Diamantes na altura da virilha? 
Das chochas dessa História escandalosa 
Eu me levanto 
Acima de um passado que está enraizado na dor 
Eu me levanto 
Eu sou um oceano negro, vasto e irriquieto, 
Indo e vindo contra as marés, eu me levanto. 
Deixando para trás noites de terror e medo 
Eu me levanto 
Em uma madrugada que é maravilhosamente clara 
Eu me levanto 
Trazendo os dons que meus ancestrais deram, 
Eu sou o sonho e as esperanças dos escravos. 
Eu me levanto 
Eu me levanto 
Eu me levanto! 


Maya Angelou

terça-feira, 8 de maio de 2018

.das contradições

não quero a binariedade
viver num lado ou no outro
como se nos fossem naturais
as dicotomias
do meu gênero, do meu amor, do meu ódio, do meu corpo, que é nosso, do que não mais, do que já foi, do que virá
quero poder transitar
como uma trança
como uma transa
como uma dança
eu-tu-ele-ela-nós-
voz
o mundo já é tão duro, meu bem
nós não precisamos fazer assim
desse jeito dói mais...
ainda que eu enlouqueça
perca os cabelos
e as peças do quebra-cabeça
prefiro assim
orgânico
pulsando pulsando pulsando
como coisa viva que somos
e estamos
re in ventemo nus


que este medo não me cegue
e nem me siga

segunda-feira, 23 de abril de 2018

reinventar

foi preciso que eu adivinhasse umas 20, 30 vezes...
acho que me faltam ouvidos?.. um dia escrevi assim pra ti: te faltam ouvidos
mas só hoje posso compreender:
é em mim que falta... enfim

tent.ando

tenho que trocar de lugar alguns móveis, pensamentos, certezas
pra não me machucar
pra que eu possa me refazer sem estar em contrapartida comigo mesma
sem precisar a todo instante me sabotar na ilusão de que assim posso talvez ficar um pouquinho mais perto de..... ti? dele dela sei lá tanto faz
acho que na realidade.... é de mim
o que importa é o que agora preciso incorporar

que sou assim do meu jeito e é assim que sou
que sou bonita por dentro que sou bonita por fora
que tenho dificuldade em dizer o que sinto mas não vai ser sempre assim que quero dizer o que sinto que não quero que digam pra mim o que sou e o que sinto pois só eu posso falar com propriedade de mim
que não sou difícil de ser amada e nem sou tão pesada como dizem
que não sou impossível pois estou aqui e me toco e me atravesso e posso ser tocada e atravessada por outras pessoas se assim eu quiser
e tenho uma infinidade de possibilidades
e gosto quando me escutam quando me perguntam o porquê quando tentam
ainda que eu cale
eu não quero mais calar
eu quero honrar minha voz
e quero poder dizer eu te amo sem medo, ainda que eu já faça isso, quero continuar fazendo
e quero poder ir
e me entregar
ao que não conheço
ao que nunca vi
e deitar no chão nunca pisado
e sentir que sim
eu posso sim
ser parte de algo
gritar isso aos sete nove dez ventos
e me garantir
e me escutar criar ouvidos pra me escutar

quarta-feira, 18 de abril de 2018

ainda tenho vergonha de falar
me faltam as palavras me sobram os dedos
poderia dizer que estou apaixonada perdida inebriada
de novo
aquela mesma nove horas
mas não é isso, não é nada disso
conheço bem o caminho que piso
porém agora, parece-me que ganhamos um tom a mais de maturidade
sim?
tanto faz na real
além do mais, tem minha partida
que se aproxima
e vai me deixando 
excitada eriçada sensibilissima
eu gosto 
eu gosto dos fins
das possibilidades de recomeço 
dói, mas é uma dor gostosa
e vez em quando solto um gemido baixinho
uh
enfim
ainda não sei falar
quando eu for e me encontrar
quem sabe
eu não volte
pra contar???


sábado, 31 de março de 2018

antipoético

quero escrever barbaridades
como quem rasga a pele e tira as tripa
e espalha merda
pra tudo quanto é lado

terça-feira, 20 de março de 2018

segunda-feira, 19 de março de 2018

conversa a.fiada

palavras palavras palavras
nada dito
tu.do muito inflamável
meus olhos tua língua
doeu minhas feridas cascas arrancadas
estou toda inflamada

sábado, 17 de março de 2018

quase-liberdade II

morre marielle
e um pedaço da gente
dias antes
a quarta chacina de minha cidade
em doizmiledezoito
penso em minha mãe
poderia ter sido ela
nesse exato momento
minha mãe pensa em mim
poderia ter sido eu
nós duas só choramos escondida
uma da outra
porque assim parecemos mais fortes
ela quando vem falar comigo
vem calma mas seus olhos gritam de dor
me diz pra ter cuidado
olhar bem onde piso
e eu sem muitas palavras
digo o mesmo a ela
nossas vidas marcadas
pelo medo ancestral
de que a qualquer momento
eles podem nos prender ou
nós poderemos nos perder
em
todos
os
sentidos
mas não nos deixaremos esquecer
o que somos
quantas somos
e o que viemos fazer


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

hoje me reconheci
estou perto do reencontro, penso
olhei pras minhas pernas enquanto mijava (bebada, que ainda estou)
eu sou eu
caralho!!!!!
que loucura ser

por isso hoje vou escrever pra mim
. e acho que despretensiosamente isso vai me abrir caminho pra terceira pessoa
.

no dia que me conheci, foi louco e doeu
alguns dias depois nasci, chorei como quem vê o mundo a primeira vez
e sente medo e um pouco de vontade
era estranho pra mim aquele ser tão grande tão pequeno
a vida passa, enfim
se conhecer não é se reconhecer
demora até chegar aí
o trajeto tem farpa prego delírio ilusão amor frio então
e é no mínimo estranho olhar no fundo de seus próprios olhos, encarar com verdade o que se é
do raiar do dia até os segredos que escondem as madrugadas
e há de se ter paciência, tolerância
olhar com generosidade
não é fácil carregar braços e pernas que querem abarcar o mundo
nem os vários corações
e sendo sincera
acho bonito o jeito que você vê o mundo e as outras pessoas
agradeço, feliz
a gente cresce todo dia
uns 3 cm pra cima, penso
e dói no momento que transborda
mas você se estica um pouquinho
pra caber tudo ali de novo
e no fim é boa a sensação de conseguir caber em si
ser um lar
e uma asa

feliz
ainda que me sinta
tantas vezes só
ainda que não saiba falar de mim
ainda que seja difícil existir

quero me permit ir
e conseguir ser atravessada
acessada
desarmar e abaixar os muros
sorrir leve e amar
com o amor dos pássaros
com a alegria de um inverno chuvoso
e com a força de um mandacaru na seca

e que eu me mova sempre a construir aquilo em que acredito
!um mundo possível!

onde a gente e a natureza feliz vivam sempre em comunhão
e a tigresa
possa mais
do que
o
leão





.e q eu escreva em terceira pessoa

eu não escrevo pra ninguém?

continuo por mandar cartas de amor, ainda que as respostas não me cheguem.
faço aquela nove horas, escolho bem as palavras, sinto-me cheia de dedos naquele malabarismo excitante de se procurar neologismos pra dizer Eu Te Amo.
as gotas do oceano gostam dessa hora
as estrelas e a lua cheia são protagonistas
os ponteiros do relógio andam pra trás
a barriga ansiosa jura cuidar bem das borboletas
as promessas impossíveis se jogam todas no meio da pista
e na hora da peleja as tripas bombeiam sangue

como é gostoso escrever cartas de amor, de dor, de gozo
tudo é carta de amor. às vezes a gente nem ama mas manda uma carta de amor.

deve ser gostoso receber uma, penso e desejo. deliro pensando, desejando. mas sinto medo. o que se faz depois de uma carta de amor?
eu como rementente

observo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Janeiro

Quero aprender
o barulho de teus passos
pra de longe
saber reconhecer tua chegada

sábado, 13 de janeiro de 2018

às vezes eu penso em meu irmão

queria saber se ele também pensa em mim assim sem querer quando defé e como é, como eu chego até.?
tento lembrar, tento muito lembrar
qual foi a última vez que me olhou nos olhos, que sorriu ao me ver, que falou comigo
e não consigo, juro
6 anos sei lá
mais talvez
será que algum dia teremos maturidade suficiente para nos tolerarmos?
faço mil vezes o caminho inverso querendo achar onde foi, qual avenida, qual idade que perdemos o fio da meada
me faz triste pensar em ti
e eu não queria assim te sentir