segunda-feira, 27 de maio de 2019

diabo



acordar cedo olhar pro lado não reconhecer a casa
vou puxar só uma carta
ao meio dia perceber
estou molhada
caminhar mais rápido
cheia de dedos
nas mãos e nos pés
embaraça o andar e o tocar
e no entanto não sei onde por as mãos
umedecidas eu
tento me adequar ao fuso horário
de meu corpo
demora um pouco pra mastigar
o oito e o setenta
no meio da rua fico assim
tentando decifrar disfarçar
fingindo que pra mim
tanto faz o frio tanto faz o quente

segunda-feira, 20 de maio de 2019

loucura

tiro um tarô
diz que não devo gastar meu tempo sonhando no que me foge o alcance das mãos
saio na rua
observo o olhar de 2 homens sobre mim
me apaixono por alguém
rápido assim
mas longe não paro tempo de pensá-la
volto pra casa matutando
o óbvio
começo então a enxergar possibilidades
se avanço
descongestiona também aí
um passo pra trás um passo pra frente
coragem é também admitir olhar no olho chorar desistir lamber piscar olhar pro lado
não há sinal de trânsito na cidade em que moro
mas tenho no quintal um pé de laranja
que é mesmo que ser um sinal
estamos criando formas de comunicação
me aperfeiçoo na habilidade de
ir
ou de
parar

segunda-feira, 6 de maio de 2019

mais do que lhe abençoo

quando a imagino do meu lado esquerdo
do peito
e da cabeça
reverencio à minha mãe
no iogurte caseiro que faço na hora que me dou fala no momento em que me deixo ser corpo
quando enfrento algo quando intuo quando choro quando brigo quando acalmo
nas vezes que me apaixono ou digo que amo ou nas vezes que digo o que sinto nos dias que olho pra trás na minha casa nas minhas asas nas lembranças de minha vó
reverencio à minha mãe
e me curvo
quando medito quando penso em África quando acordo às 4 da manhã quando viajo
quando tenho coragem
nas sementes que planto nas malas que faço na razão que uso no dinheiro que gasto na comida que como
reverencio à minha mãe
e me curvo
pela vida pelos pés no chão pela força pela serenidade pelo amor pela distância pela generosidade