quarta-feira, 24 de novembro de 2021
quinta-feira, 11 de novembro de 2021
agradeço
e meu coração acerola
poeira fina por toda casa
por toda rua
sonhar subindo altas escadas
cedo acordar varrer a calçada
o tempo cortando a pele formando novas rugas
as primeiras de todas as outras que um dia virão
um toque perto do peito
escuto fundo sentir no pelo
o que mata, eu semente pequenina de mato
outros pés nascendo perto
do meu pé douvido
a palma a planta do pé
penso
longe ainda tanta coisa cabe
na distâncias das cidades
mas o entendimento é esse
que o fruto do caju é o cajueiro
e o do cajueiro, a castanha
nada de extraordinário
se meu coração acerola
vermelhinha a bater
na lembrança de um sabor e outro
toque doce-amargo
terça-feira, 2 de novembro de 2021
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
as convenções românticas me dão preguiça
terça-feira, 7 de setembro de 2021
domingo, 5 de setembro de 2021
domingo, 11 de julho de 2021
segunda-feira, 5 de julho de 2021
me dito
do alto de uma enxaqueca
cercada de não ditos
medito
tentando alcançar além das cercas
tudo isso é tão esquisito...
domingo, 20 de junho de 2021
sábado, 19 de junho de 2021
domingo, 6 de junho de 2021
registro triste
aos 2/3 anos eu morava na vila da bosta, com minha mãe e meu irmão. eu gostava de morar lá, também porque tinha uma amiga muito muito legal. ela era mais velha que eu, então lembro de a admirar muito, pensar quando crescer quero ser esperta assim. a gente brincava de colégio na sua cadeirinha verde. nessa época, eu ainda não estudava. ela morava na casa ao lado da minha e todo dia ela vinha pra minha casa ou eu ia pra sua.
acontece que chegou uma época que a mãe dessa minha amiga decidiu se separar e separou. mas o caba safado vivia de azucrinar a vida delas (mãe, filha e avó). num dia de sol sendo manhã ou tarde, ele foi lá na casa delas e chamou. ninguém foi atender porque já sabiam quem era. passado um tempo, ele aperreando muito, minha amiguinha foi até a área pra vê-lo através do portão e a avó foi atrás pra levá-la de volta pra dentro. aí que quando chegaram lá, ele tava armado, e matou vó e filha. assim, de tiro, na área onde a gente brincava. depois apontou pra própria cabeça e outro tiro.
depois daí há duas versões, a de que eu tava em casa com minha vó que me botou nos braços assustada e foi comigo até a rua, onde vimos toda a cena.
e na outra estava com minha mãe, que sozinha foi ver o que houve e horrorizada teve o maior cuidado pra que eu não visse nada.
bem, de fato, não tenho memórias imagéticas do ocorrido em minha lembrança. mas lembro muito do depois, em verdade às vezes acho que minha primeira amiga e seu assassinato são as primeiras memórias que tenho da vida. mas não sei, é difícil achar a ordem cronológica quando não são lineares os pensamentos e a elaboração de memórias. mas sem dúvidas foi meu primeiro contato com a morte, em que pensei, ao meu modo e idade, ativamente sobre a morte, descobrindo seu significado. lembro de sua mãe em nossa casa chorando muito nos dias que se seguiram. lembro que ganhei ruas roupas, brinquedos e a cadeirinha verde que eu tanto gostava, mas depois minha mãe devolveu a maior parte, pois não conseguia guardar o peso todo que carregavam aquelas coisas. pude ficar então só com a cadeirinha verde e sua motoca.
brinquei muito na cadeirinha verde sem minha amiga, mas era inevitável lembrar dela sempre que eu sentava naquela cadeira, lembro de às vezes pensar nunca mais vou vê-la e me perguntava por quê, era muito estranho aquilo.
depois de um tempo a mãe de minha amiga foi morar no interior pra reconstruir a vida. e nós, um ano depois, nos mudamos também, não sei se por isso ou se pela peregrinação da vida de aluguel. talvez ou dois motivos.
tenho tentado então fazer o exercício de elaborar sobre essa memória. quero guardar comigo a memória de minha amiga thais, em respeito a sua vida. e refletir com consciência sobre todos os efeitos que essa situação teve em minha vida.
o pavor em qualquer sinal de briga, os vômitos, o choro, o nervosismo. acho que passei anos tendo um tipo de estresse pós traumático e só hoje percebo com nitidez. mas em outro momento, talvez, eu falei mais sobre..
o que achei no mínimo curioso foi que hoje às 00h09, acordei assustada de um sonho e aproveitei para mijar. depois do mijo não consegui mais dormir. lembrei assim, do nada, de thais, de sua breve vida, e me deu vontade de pegar o celular pra escrever esta história. eu nunca pego o celular de madrugada, mas conversei comigo e me convenci, era um motivo muito merecedor. escrevi. depois tornei a dormir. aí que acordei ainda com a história na cabeça, liguei pra minha mãe pra ouvir suas memórias sobre o ocorrido. nisso ela lembra, hoje, dia 6 de junho, faz 20/21 anos desde de aquele dia.
doideira.
eu e meu amigo vizinho joão vicente brincando na motoca que ganhei de thais
segunda-feira, 31 de maio de 2021
a gente planta o que colhe ou colhe o que planta?
poderia te dizer que se não fosse como foi, não seria, mas não digo. tem dia que é maior, tem dia que é menor. tem dia que chove e tem dia que à noite mesmo fazendo 19 graus sinto calor, durmo sem roupa, acordo com a garganta coçando por não ter me protegido do frio que fazia fora, por dentro tudo quente, não precisei.
amanhã já é outro mês, ouço milton nascimento e lembro relembro todo meu crescimento nestes últimos anos. meu paladar já não é mais o mesmo, tampouco meu olfato, me falta certa sensibilidade que antes tinha de muito nesses dois sentidos. acredito que por isso minha audição se mostra mais aguçada, tento cheirar e sentir gosto com os ouvidos agora.
meu amigo me liga, planejo com ele um carnaval em olinda no ano de 2023. uma pausa na pausa.
volto sem saber o que queria aqui dizer. acho que, em verdade, não queria nada. tenho exercitado aparar no tempo o hábito de escrever. hábito que com o passar dos anos fui aos poucos perdendo, tantos foram os motivos. agora faço o esforço de recuperar, não só porque colho hoje os frutos das árvores semeadas muitos ontens atrás. mas sobretudo porque quero dar continuidade a essa comunicação que estabeleço comigo.
com os olhos nos riscos-feitiços de pemba que fiz na parede, aceito, tem dia que não tenho nada pra dizer. e acolho as palavras que saem, ainda assim.
quinta-feira, 27 de maio de 2021
sábado, 22 de maio de 2021
reler meus antigos escritos é sempre uma surpresa
era bonito o jeito o encaixe das palavras às vezes rio às vezes choro
reencontrar aquilo que fui e que nalgum lugar ainda sou
aprendo tanto como se não soubesse o que a anos atrás eu sabia
eu saberia
tenho um irmão de 29 anos, seu nome é italo e não nos falamos
não tenho seu número do zap, nem o sigo nas redes sociais
o conheço apenas por suposições e pelo o que dele ouço falar
também pelas lembranças da infância, pois
acho que subestimei sua presença em minha vida
hoje no meio de uma pandemia
temo sua morte e ao ir dormir lhe desejo sorte
quero ainda ter a oportunidade de lhe reconhecer
olhar nos seus olhos tão parecidos com os meus
hoje ao bater uma selfie lembrei de você
te carrego em meu rosto
e nem é pela cicatriz do murro que tu me deu nos seus 19 anos
veja só, 10 anos se passaram
e ainda estamos .aqui. nesse impasse
escrevo hoje por ontem e por amanhã
tem coisa que não se separa
o tempo............................
....................................
........................................
sigo catando feijões.
sábado, 8 de maio de 2021
escrever com o teclado é doideira isso tô no inicio parece que as palavras não vão sair tenho um de javu pra frente a sensação de que vai acontecer aquilo lá na frente aquilo que já conheço bem a sensação e me doeu então mas penso mais uma vez posso driblar o destino fazer diferente, sim? ilusão ou verdade não sei nessa altura do campeonato os dias são quase todos iguais se diferenciam em intensidade e crueldade e inércia e vontade de sair de casa e não saber não ter certeza se amanhã quando eu acordar vou receber alguma notícia muito triste desesperadora agora é noite me preparo pra dormir escrevo só pra quebrar a rotina e canalizar essa energia minha gata matou um vagalume que entrou no meu quarto poderia fazer uma metáfora mas não quero não consigo respondo uma mensagem antiga juro pra mim verdade não lembro meus sonhos dormidos os acordados eu lembro de alguns da vontade de estar viva daqui um ano daqui oitenta anos minha vó me deu a herança da boa memória tecnologia de sobrevivência engraçado que quando escrevi sobre ela foi falando de quando ela esqueceu meu nome contradição ou talvez eu tenha ficado um pouco chateada com isso olhar de frente pra minha pequenez geralmente não me causa a sensação de que tem um cabelo na minha língua bem lidar secularmente com todas essas mortes matadas gera um buraco tão grande dentro da gente e aí usar esse espaço pra cuidar da terra cultivar outras coisas gerar fruto gerar semente que é injusto é mas poucas são as alternativas seguir acreditando ou não risco a parede fazendo um feitiço é segredo ainda mais tarde te conto um cheiro
terça-feira, 4 de maio de 2021
candeeiro
as luzes dos teus cabelos a alumiar meus caminhos
só tenho medo de, sem querer, acabar por...
me incandear a vista.
domingo, 11 de abril de 2021
em casa
estou lendo um livro que se chama
como desenhar pássaros
eu não sei voar
mas estou aprendendo a fazer
minhas próprias asas
sexta-feira, 2 de abril de 2021
dentro de mim corre um riacho
quando é tempo de estiage
ele seca de num ficar uma lágrima sequer
agora se o inverno é bom
em janeiro já tem água
nessa época
quando é de madrugada eu acordo pra sonhar
molho antes de tudo os dois pés
um pé pede licença e o outro pede a bença
na correnteza
passa peixe, desejo, passa seixo, passa vontade
e passa até segredo
tem o que fica pra trás
e o que vai ficando pra frente
sim, eu sei
há algo naquele segredo
que ainda não ouso tocar
reconheço com respeito
pedra pequena que sou
frente esse imenso lajedo
e não apresso, nem adivinho
calma, observo a água passar
quero sem despertador
ouvir o galo cantar
e quando é de manhã cedinho
ainda molhada
o primeiro mijo do dia
vai descendo quente de dentro de mim
vou lembrando a afluente sou
e então
e então
eu deixo ir
embalagem
fruta a gente chupa até o caroço
e quando acaba rebola no mato
com a simplicidade de quem faz parte
caroço é semente de futuro
quanta ancestralidade
há num caroço coberto pelo fruto?
comida enlatada não tem caroço
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
não dou conta de tudo que a cabeça pensa
raspo o cabelo e faço dele uma oferenda
recebo em troca o vento lambendo minha mulera
como um portal que me abre
sinto
não mais a vontade de tirar leite de pedra
raiva sim da vida ódio fúria um fogo que sobe dos peito até a garganta
e ainda assim querer esse negócio
desejar
por a boca comer
dar continuidade
isso que chamam de viver
piscar lentamente como quem
mesmo atrasada
não vai perder o ônibus da viagem
troco de pele só porque sinto saudade
não quero mais comigo esse medo da morte esse medo da vida
cobra de duas cabeças que sou
são muitas as possibilidades
dobrados os caminhos
também as armadilhas
respiro
acendo uma vela
buscando iluminar as estradas que carrego por dentro
de olho fechado
ewa me diz onde pisar
e quando piso é firme
mas com imensa delicadeza
perdão todo esse palaviado
é só uma oração
mais uma vez tentando fazer as pazes com as palavras
que exu me deixe dizer
e sair
quando eu bem entender
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
feixe
ainda não sei o que quero dizer
tenho medo de como minhas palavras podem ser recebidas
percebo isso com muito esforço
o que me parece sempre é que
é besteira o que tenho esperado tanto tempo pra falar
medo de não me sentir querida
medo de não me sentir bem-vinda
assim como fora tantas vezes
medo de sentirem pena de mim
de acharem que sou fraca e a qualquer momento
posso quebrar
como copo de vidro que cai no chão
esses medos vem de mão dadas com tantos outros
como uma constelação
formam uma rede de pesca
e pescam tudo que tenho pra dizer
..,
mas por sorte
vez ou outra escapa
um peixe

