quarta-feira, 30 de maio de 2018

translúcida

o gosto de cigarro não sai de minha boca. volto pra casa pensando E se, por acaso, eu soubesse escrever em terceira pessoa? os pés dos pensamentos tropeçam e acabam por concluir que não chegarei lá. peço calma, sobretudo calma.
tive que ver, hoje, de novo, pra, na minha prepotência, entender. é sobre mim. pra, na minha insignificância, entender. isso tudo não tem nada a ver comigo, com eles, provável que sim. pra, na minha humanidade domesticada, entender. eu não entendi nada.
acho que é mais ou menos por aí. morno. meio termo. lua fora de curso.
MAS É LUA CHEIA, PORRA!
no fim da noite deito sozinha e é bom. não tenho medo de ser sozinha, me digo várias vezes ao dia.
a cidade grande me faz ir dormir com esse gosto de cigarro na boca. calma!
preciso ser sincera contigo e acho que não vou conseguir. não com palavras. mas quero ainda ter a oportunidade de.
desculpa.
sou imensamente grata.
te amo
de forma livre e orgânica.
às vezes, desejo às outras pessoas o que acho que as ajudaria no processo. ainda que muitas vezes nada tenha a ver comigo. ando na rua desejando a desconhecidas
coragem, vontade, luz, vida, piscadas astrais, afetos, animo..... enfim
e aí que rolou de hoje, desejar a ti, de forma arrogante(?), lucidez. pensei baixinho, como quem relembra segredos.
me perguntei, no auge da prepotência, se Aquilo Lá foi pra não me esquecer ou foi pra se lembrar? kkk
o negócio é que, depois percebi que não cabe a mim esse lance de te desejar o que maybe fosse bom pra mim.
alivei o peso que trazia nas costas depois dessa frase.
e memorei as ocasiões em que estive equivocadíssima a respeito dos caminhos que estão paralém de mim, que passado um tempo, olho de longe e, sinceramente, acho até bonito.
me conforto.
estamos nos caminhos certos.


sigamosssx

segunda-feira, 21 de maio de 2018

voemo-nus

declaro meu afeto, minha dor, minha solidão, meu desejo, minha insignificância, minha cor
te declaro sem medo
das contradições, das contravenções
te declaro porque tenho coragem de te olhar nos olhos com verdade e só por isso não penso mais no que não é, no que não foi dito, no que vai ser, no que já foi
porque estou aqui
e amanhã quando não mais estiver, hei de estar declarando-me ainda a outras paisagens, sem peso, sem culpa
sem contrato
só contato
.
depois do abraço, abro os braços e vôo
bicho-solto que sou
isso não me tira a profundidade do encontro
.sigo

nos respeito
e nos reverencio
estando aqui
ou aculá

domingo, 13 de maio de 2018

é que não sou nada disso
que penso que digo que tento
é que sou nada disso
que sinto que quero que tenho
é mentira minhas palavras minhas mãos posicionadas
eu deitada na cama só pensava em mentiras
verdades inventadas para dormir melhor
deitar melhor
caber ali
mas eu preciso contar a verdade
é que não sei quem sou

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Ainda Assim Eu Me Levanto – (“Still I Rise”)

Você pode me inscrever na História 
Com as mentiras amargas que contar, 
Você pode me arrastar no pó 
Mas ainda assim, como o pó, eu vou me levantar. 
Minha elegância o perturba? 
Por que você afunda no pesar? 
Porque eu ando como se eu tivesse poços de petróleo 
Jorrando em minha sala de estar. 
Assim como lua e o sol, 
Com a certeza das ondas do mar 
Como se ergue a esperança 
Ainda assim, vou me levantar 
Você queria me ver abatida? 
Cabeça baixa, olhar caído? 
Ombros curvados com lágrimas 
Com a alma a gritar enfraquecida? 
Minha altivez o ofende? 
Não leve isso tão a mal, 
Porque eu rio como se eu tivesse 
Minas de ouro no meu quintal. 
Você pode me fuzilar com suas palavras, 
E me cortar com o seu olhar 
Você pode me matar com o seu ódio, 
Mas assim, como o ar, eu vou me levantar 
A minha sensualidade o aborrece? 
E você, surpreso, se admira, 
Ao me ver dançar como se tivesse, 
Diamantes na altura da virilha? 
Das chochas dessa História escandalosa 
Eu me levanto 
Acima de um passado que está enraizado na dor 
Eu me levanto 
Eu sou um oceano negro, vasto e irriquieto, 
Indo e vindo contra as marés, eu me levanto. 
Deixando para trás noites de terror e medo 
Eu me levanto 
Em uma madrugada que é maravilhosamente clara 
Eu me levanto 
Trazendo os dons que meus ancestrais deram, 
Eu sou o sonho e as esperanças dos escravos. 
Eu me levanto 
Eu me levanto 
Eu me levanto! 


Maya Angelou

terça-feira, 8 de maio de 2018

.das contradições

não quero a binariedade
viver num lado ou no outro
como se nos fossem naturais
as dicotomias
do meu gênero, do meu amor, do meu ódio, do meu corpo, que é nosso, do que não mais, do que já foi, do que virá
quero poder transitar
como uma trança
como uma transa
como uma dança
eu-tu-ele-ela-nós-
voz
o mundo já é tão duro, meu bem
nós não precisamos fazer assim
desse jeito dói mais...
ainda que eu enlouqueça
perca os cabelos
e as peças do quebra-cabeça
prefiro assim
orgânico
pulsando pulsando pulsando
como coisa viva que somos
e estamos
re in ventemo nus


que este medo não me cegue
e nem me siga