quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

até onde a visão não alcança

meu peito todo aberto, o quarto todo escuro, o peso todo do mundo, a leveza da flor que não pensa só sente, os ombros que carregam tudo......
sim, desse jeito. e só.

tava tudo aberto, 
as janelas, as portas, as feridas, as fossas...
os pés querendo andar, o corpo querendo fechar....

e só o coração querendo ficar.


de tudo que se quer dizer e
;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;; cala
de tudo que se quer calar e
;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;; diz

tudo dito
nada feito
fito e deixo?

coração na mão, nos pés, as tripas, nos olhos, as mãos 
e luz,
mas essa, só na imaginação.
aqui
tudo escuro
ainda

essa burrice-opcional do não-ser
embaraça a compreensão
junto com meus novos fios de cabelo
que os antigos,
já muito enroscaram em um tempo de lentidão solar 
e foi bom.

agora
o que vejo enquanto pisco
é a visão mais bonita
da minha noite
e quiça do meu dia
.
como um filme irreal
de cor e ritmia.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

na lua, o céu
na polícia, a rua
lá em cima, poucas estrelas
aqui em baixo, muitos humanos

foi assim
injusto

os vômitos no chão,
aquela pressa 
aquela ansiedade
aquele movimento

ir ir ir vir vir vir 
aqui aqui aqui
eu eu tu tu 
nós
ela ele
eles 
elas
ninguém

onde se pousar?
perguntam os olhos
perdidos entre sal e maldade
no escuro da noite

depois de umas doses 
nada permanece no seu lugar
nem eu
nem céu
o corpo celeste
também tem intenções etílicas?
bom....

ousar responder
é ousar também o quê?
saber?
............
.....
.....

sobre a noite incerta
eu me deito
e me deixo


ir

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

mistério é tudo que pisca a madrugada

procurando qualquer coisa que aumentasse esse catarro no peito
esse vício não novo, mas nem tão velho assim, por cigarro, te deixa sem jeito
não deixa esquecer aquilo tudo que já foi
aquele tempo bom
em que nascer era acordar
e viver era apenas sonhar?
não, não apenas
antes fosse só
penas
senas
cenas
não, mais mais mais
até que no fim não era mais nada
tudo não existe
nada sim existe

a cor castanha adentrando os poros do pensamento
até que todas as cores e cheiro das flores se tornassem um reflexo
colorido do castanho escondido
é que o significado, às vezes, não chega ao alcance das mãos
e há de se ter paciência, esperar
até que brote mais uma flor no calçamento
e relembre do sol e chuva a se seguir,
da estrada de vento onde se caminha e reinventa
a dor

ah, dor
se quiser matar
que mate
se quiser curar
que cure

da vida, não mais o que se duvida
da ida, não mais o que de partida
coração já em pedaços
acha bonito esse retalhado de imagens
que se forma ao olhar pra dentro
é poético, diriam
riria porque o que se passa
é totalmente diferente
do que abarca essa compreensão
e passa, ainda
e passa, linda

o por-do-sol se esconde por trás das nuvens
e por limitação não se pode enxergar

permanece lindo, concluo.

é assim
e um dia há de fazer sentido
sim?

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

sabiá sabia já

me perdi me encontrei na contramão dobrei
seria a vida essa eterna procura ao encontro consigo
ou seria a vida essa eterna busca a novos caminhos e perdições?

o ano começa, eu ainda me sinto no meio da estrada. estrada que tem como destino o caminho que caminho e que se faz a cada amanhecer. ontem pensei não sou, hoje pensei eu sou, e amanhã quem saberá de mim, senão eu mesma? 
o que escrevo é sempre incerto e contraditório, digo, cuidado, você que agora me lê. há de se ter moderação ao beber essa licença poética toda assim de uma vez só. 
dado o aviso, continuo.

quero alçar vôo ainda. já tenho asas e tenho aprendido a voar. aprendo enquanto vivo, e sigo, também, aprendendo enquanto ensino. gosto das trocas recíprocas. 
e amo
amo amo
o torto, 
quando em sua sinceridade, quando ele é a expressão fiel do que se há no coração.
entre tantos amores que trago, há também aquela sensação de inquietude que se esconde debaixo do peito sempre que vem a mente aquele sabor na língua. incompletude? não. eu não saberia definir pela sua profundidade em minha vida, mas é uma inquietação que sempre me leva à tanta cor, que às vezes me pergunto, não será bom?.....
fica o questionamento pra mim, e pra os que me lêem.
ainda tento assimilar essa transitoriedade toda que me cerca, e ao que também tanto se diz intrasitório quando questionado olho-no-olho. tudo passa? não sei, mas o passarinho sabe e um dia ele há de me contar.
e enquanto espero contenho em mim todas as coisas que não podem ser ditas


já me vou
adeus

a vocês, a (boa) noite que desejam
a mim, a noite que me coube o destino e as consequências de meus atos 
....

ráaaa
bye bye