no pulo dos pardais
nas flores do jerimum
no canto noturno das rãs
os dias passam
as folhas caem
outras nascem
as mãos que por ora engrossam
conquistam maior afinidade com os espinhos
isso tudo é tão comum
água aparada na bacia
casa de abelha
os pés crescendo ali
uma chibanca que descansa na sombra
depois do almoço
querendo digerir essa vontade danada
de chamar um cupim
pra roer a porta do tempo
eu não me importaria
aliás eu gostaria
de numa enxertia
ser o seu cavalo
tudo aquilo que vai ficando
nem no começo nem no fim
mas no meio do poema
bendizer o vaso de um floema
enquanto isso os galos
botam o sol pra dormir
e as estrelas vão germinando
lá longe
lá longe