domingo, 27 de março de 2022


no pulo dos pardais
nas flores do jerimum
no canto noturno das rãs
os dias passam 
as folhas caem
outras nascem
as mãos que por ora engrossam 
conquistam maior afinidade com os espinhos
isso tudo é tão comum
água aparada na bacia
casa de abelha 
os pés crescendo ali
uma chibanca que descansa na sombra 
depois do almoço
querendo digerir essa vontade danada
de chamar um cupim
pra roer a porta do tempo
eu não me importaria
aliás eu gostaria
de numa enxertia
ser o seu cavalo
tudo aquilo que vai ficando 
nem no começo nem no fim
mas no meio do poema 
bendizer o vaso de um floema
enquanto isso os galos
botam o sol pra dormir 
e as estrelas vão germinando
lá longe
lá longe

segunda-feira, 7 de março de 2022

deixo guardado um mistério
no fundo de tua axila
 
peito e umbigo já são muito requisitado
pra esses assunto de abrigo
 
o mundo é um cacho de banana com carbureto
pra amadurecer mais cedo
 
há muitas formas de abreviar a vida
ou esconder um segredo
 
todavia meus olhos continuam a salivar
com a gostosa castanha que envolve tua pupila 

ladainha


 
cavar um poço na tua memória
chafariz de ladainha 
aparar o vento numa bacia 
mais tarde arear as ideias
refletem as panelas ariadas
a dor oca da caristia
governo de si e a liberdade de escolha 
dos que sentem fome
como aquele dia
como ter uma arma apontada na cabeça 
o mundo segue tudo segue
estender os lençóis freáticos
e deixar secar num varal
vender
vender tudo
chove tanajura nessa tarde
e corre um cavalo 
dentro de ti
e dói 
dói muito