segunda-feira, 31 de maio de 2021

a gente planta o que colhe ou colhe o que planta?

 poderia te dizer que se não fosse como foi, não seria, mas não digo. tem dia que é maior, tem dia que é menor. tem dia que chove e tem dia que à noite mesmo fazendo 19 graus sinto calor, durmo sem roupa, acordo com a garganta coçando por não ter me protegido do frio que fazia fora, por dentro tudo quente, não precisei. 

amanhã já é outro mês, ouço milton nascimento e lembro relembro todo meu crescimento nestes últimos anos. meu paladar já não é mais o mesmo, tampouco meu olfato, me falta certa sensibilidade que antes tinha de muito nesses dois sentidos. acredito que por isso minha audição se mostra mais aguçada, tento cheirar e sentir gosto com os ouvidos agora. 

meu amigo me liga, planejo com ele um carnaval em olinda no ano de 2023. uma pausa na pausa.

volto sem saber o que queria aqui dizer. acho que, em verdade, não queria nada. tenho exercitado aparar no tempo o hábito de escrever. hábito que com o passar dos anos fui aos poucos perdendo, tantos foram os motivos. agora faço o esforço de recuperar, não só porque colho hoje os frutos das árvores semeadas muitos ontens atrás. mas sobretudo porque quero dar continuidade a essa comunicação que estabeleço comigo.

com os olhos nos riscos-feitiços de pemba que fiz na parede, aceito, tem dia que não tenho nada pra dizer. e acolho as palavras que saem, ainda assim.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

 já morei em muitas casas, mais de 15 ao longo dos meus 23 anos
em 5 diferentes cidades
depois que nasci nunca mais passei fome
o meu primeiro trabalho remunerado foi aos 16 anos 
tenho mãe e tenho pai
no meio da estrada eu sempre reparo que é bom sentir saudade
tenho facilidade de me sentir em casa nos mais diversos lugares
uma viagem
as vezes lembro o dia de minha morte
e as vezes sinto vontade de adivinhar o dia de meu nascimento
ata é minha fruta preferida, mas na paraíba se chama pinha 
escrevo poesia pra inventar quem sou
e achar em mim aquilo que algum dia ainda almejo ser
anos atrás eu fazia uma trança mais bonita com as palavras
não ligo
daqui a três anos eu vou dizer que sobrevivi a uma pandemia
e mesmo assim 
sem sorriso no rosto
vou me lembrar desse dia


sábado, 22 de maio de 2021

reler meus antigos escritos é sempre uma surpresa

era bonito o jeito o encaixe das palavras às vezes rio às vezes choro

reencontrar aquilo que fui e que nalgum lugar ainda sou

aprendo tanto como se não soubesse o que a anos atrás eu sabia

eu saberia

tenho um irmão de 29 anos, seu nome é italo e não nos falamos

não tenho seu número do zap, nem o sigo nas redes sociais

o conheço apenas por suposições e pelo o que dele ouço falar

também pelas lembranças da infância, pois

acho que subestimei sua presença em minha vida

hoje no meio de uma pandemia 

temo sua morte e ao ir dormir lhe desejo sorte

quero ainda ter a oportunidade de lhe reconhecer

olhar nos seus olhos tão parecidos com os meus

hoje ao bater uma selfie lembrei de você

te carrego em meu rosto

e nem é pela cicatriz do murro que tu me deu nos seus 19 anos

veja só, 10 anos se passaram

e ainda estamos .aqui. nesse impasse

 escrevo hoje por ontem e por amanhã

tem coisa que não se separa

o tempo............................

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sigo catando feijões.

sábado, 8 de maio de 2021

 escrever com o teclado é doideira isso tô no inicio parece que as palavras não vão sair tenho um de javu pra frente a sensação de que vai acontecer aquilo lá na frente aquilo que já conheço bem a sensação e me doeu então mas penso mais uma vez posso driblar o destino fazer diferente, sim? ilusão ou verdade não sei nessa altura do campeonato os dias são quase todos iguais se diferenciam em intensidade e crueldade e inércia e vontade de sair de casa e não saber não ter certeza se amanhã quando eu acordar vou receber alguma notícia muito triste desesperadora agora é noite me preparo pra dormir escrevo só pra quebrar a rotina e canalizar essa energia minha gata matou um vagalume que entrou no meu quarto poderia fazer uma metáfora mas não quero não consigo respondo uma mensagem antiga juro pra mim verdade não lembro meus sonhos dormidos os acordados eu lembro de alguns da vontade de estar viva daqui um ano daqui oitenta anos minha vó me deu a herança da boa memória tecnologia de sobrevivência engraçado que quando escrevi sobre ela foi falando de quando ela esqueceu meu nome contradição ou talvez eu tenha ficado um pouco chateada com isso olhar de frente pra minha pequenez geralmente não me causa a sensação de que tem um cabelo na minha língua bem lidar secularmente com todas essas mortes matadas gera um buraco tão grande dentro da gente e aí usar esse espaço pra cuidar da terra cultivar outras coisas gerar fruto gerar semente que é injusto é mas poucas são as alternativas seguir acreditando ou não risco a parede fazendo um feitiço é segredo ainda mais tarde te conto um cheiro

terça-feira, 4 de maio de 2021

candeeiro

 as luzes dos teus cabelos a alumiar meus caminhos

só tenho medo de, sem querer, acabar por...

me incandear a vista.