quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

não dou conta de tudo que a cabeça pensa
raspo o cabelo e faço dele uma oferenda
recebo em troca o vento lambendo minha mulera
como um portal que me abre
sinto
não mais a vontade de tirar leite de pedra
raiva sim da vida ódio fúria um fogo que sobe dos peito até a garganta
e ainda assim querer esse negócio
desejar
por a boca comer
dar continuidade
isso que chamam de viver
piscar lentamente como quem
mesmo atrasada
não vai perder o ônibus da viagem
troco de pele só porque sinto saudade
não quero mais comigo esse medo da morte esse medo da vida
cobra de duas cabeças que sou
são muitas as possibilidades
dobrados os caminhos
também as armadilhas
respiro
acendo uma vela
buscando iluminar as estradas que carrego por dentro
de olho fechado
ewa me diz onde pisar
e quando piso é firme
mas com imensa delicadeza

perdão todo esse palaviado
é só uma oração
mais uma vez tentando fazer as pazes com as palavras

que exu me deixe dizer
e sair
quando eu bem entender