terça-feira, 20 de dezembro de 2016

há de se ter, urgentemente
algo que nos aparte

planejo, em doismiledezessete
me mudar prum apartamento

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

domingo, 11 de dezembro de 2016

círculo

aprender a lidar com isso que chamamos de tempo me causa arrepio no fundo da espinha
sempre fui passarinho que gosta de construir ninho
e doeu todos os adeus que carrego em minhas costas
o mundo tenta ensinar, nem sempre com paciência
e fico pequenina
por ser menina que tem asa, mas nem sempre quer voar
sempre sempre sempre
isso nem existe, é muito tempo
sabia?
sim

tem um espinho furando meu coração
mas ele não mata, ele
só dói
e eu choro
me sentindo viva, também, quando me dói
animal que sou
instintivamente me aconselho

é hora
de
não fazer nada
só observar
as cores que fluem
e a baleza que elas tem
a revel ar

dor?
não não
aquele outro -or

sábado, 3 de dezembro de 2016

o mundo é fundo

pra ti que tá distante,
mas nem tanto assim.

já vivi também distâncias e sei como pode ser dura a vida
a ida
mas te digo que vale à pena pensar e sentir
como tudo isso é inerente a vinda.
um tempo assim não é de todo ruim, embora muitas vezes pareça.
conheça a ti mesmo, abrace tua sombra.
te digo, com toda certeza, ainda nos encontraremos muito nessa caminhada
em matéria ou pensamento.
sigo em sintonia contigo sempre.
admiro tu e tua força.
te amo
de coração e alma


com saudade,

domingo, 27 de novembro de 2016

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

não me demoro

e tenho pensado
se seria esse um problema
alguém diria que o problema
sou eu
pensando demais
e sim,
concordo plenamente


domingo, 20 de novembro de 2016

já não sei mais
estive pensando que naquela época eu era nova demais
não podia, nem por evolução espiritual, saber
me ater
às burocracias da vida cotidiana
por muito me cobrei
te cobrei
e só agora aceito que não poderia ser de outra forma
embora eu desejasse que sim
e talvez deseje ainda
sobre o passado
por imaturidade ou egoísmo
o que é que a gente faz pra passar desejo?
como se apaga o fogo sem que mais tarde o resto da brasa volte a acender tudo de novo?
parece que me faço de doida
e acho que me faço mesmo
como mais sobreviveria esse tempo todo?
é loucura tudo isso
estou à flor da pele
e tenho pensado em ti
e em outras bobagens
com muito amor
e um pouquinho de raiva, admito

aquele dia, em que depois de muito tempo voltamos a respirar

a história e a memória
podem salvar o mundo,
num é?

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

rastejo

delicadeza de ser
o atrito sútil de quando a gente consegue
e a vida permite
pisar mais leve
olhar diferente
noutro ângulo
outro ponto de partida
fim ou início?
de quantos mais artifícios nos utilizaremos
para pormos pra fora tudo isso
que transcorre?
falta coragem ainda, diria
medo, sabe? daquilo que não podemos apalpar
o intangível
um dia, eu, carne osso alma
saberei ser mais leve
    se é que é questão de saber)



tent.ando




segunda-feira, 14 de novembro de 2016

omito desinências
nunca gostei dessa brincadeira, mas bebo agora da água
quantas siriricas batidas serão suficientes para?
pedalei quilômetros, hoje, no intuito de me exaurir, quem saberia se desse modo eu num conseguiria me perder noutros pensamentos que não essa contradição toda a sina o desatino
não deu
mas vou conseguir
ainda

lá fora a lua cheia
aqui dentro tudo meio
palavra demais
racionalidade demais
pra que serve tudo isso
se no fim do dia
eu não poderei
nem por hipótese alguma
cogitar
a existência de seres invisíveis que dão sentido às contramãos e aconselham sempre a caminhar pelo coração?

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

ela subiu na minha barriga delicadamente, me olhou nos olhos com a profundidade de quem quer entrar. deitou em cima dos meus peitos, desconfio que ela gosta de me ouvir pulsar. e naquele instante em que dividíamos o momento, conversavámos também telepaticamente. a conexão de se saber quando piscar e porquê.

eu tenho duas gatas
que me olham nos olhos
e
que me conhecem como ninguém mais ousou. sabem tudo que penso, quando penso, em quem, onde etc. sabem paralém de tudo meus segredos e me aceitam assim
como sou


domingo, 6 de novembro de 2016

utopia

eu vou escrever
e só deus (com d minúsculo) sabe o quanto eu não queria precisar escrever
eu já tentei de tudo
mandiga oração
vai ver o negócio é forte mesmo
eu sei que é loucura essa coisa toda, mas nós também não somos?
o mal não é fome, comi agora há pouco.
não dói, mas é tipo uma coceira, um zunido no pé douvido.
gemido.
três da madrugada. eu estava aqui e observei o cheiro das cores e a forma como se encaixava o suvaco e as gatinhas no meu ponto de vista.
eu sou ainda encabulada pra falar de certas coisas num blog da internet, e aí preciso de códigos que me traduzam sem que eu me deixe ser lida.
parece delírio, tudo. se alguém contasse eu não acreditaria.
se eu acredito no amor?
ora
...
não sei
se for lembrar com nitidez e singularidades o cheiro das cores que nos perpassam e pintam, sim
eu pulso com força e talvez isso nos assuste, a princípio
todas as rotas de fuga que planejo terminam por me levar ao mesmo lugar, embora outra (eu), pois adaptada às novas paisagens, mas há algo de mesmo sabe no destino na parada do ônibus
são muitas eternidades e não sei mais como não pensar ou como tentar não pensar
é grande
e ocupa muito espaço
nas nossas ilusões pessoais, as utopias são plenas e é isso que nós somos


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

ao passo que

rotas de fuga
fossas
fodas
a
a
a
aponto
es-
trela

a distância que separa meu dedo mindinho do outro lado da rua
não é tão dorida assim, concluo
o nó na garganta não desce
não importa o tanto de água que se beba ou chore
por ora
conhecer novas paisagens 
me parece um bom caminho

.indo

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

tocar onde ninguém chega, ir lá
olhar fundo
e deixar que venham e ir junto ir separado ir
como quem sonha, como quem deseja, como quem fecha os olhos e suSpira
o que nos guia o que nos une o que nos faz estar aqui e agora
encontrar-nus
grandiosidade de ser
do peso de um mundo que não é só nosso, então.

sigamos
porque fomos nós
que trabalhamos como trabalham as formigas
cantamos como cantam as andorinhas
esperamos como esperam os caracóis
sigamos
porque
esse choro é de água que não mata sede e nossas gargantas já estão secas
sigamos, pois,
as curvas do que está por vir serão mais gostosas de sabor depois do que trocamos um a um
sigamos

que a vida é uma viagem
e estamos só de passagem
já dizia leminski e suas asas de pedra

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

foi duro...................  ,...................... tem sido,
ainda.
se arranca primeiro as pétalas, pra depois os espinhos, num é?
correr feito doida e meia ajuda a aliviar a dor de ser bicho que arranca partes do próprio corpo.
a coceira permanece, o barulho de muriçoca no pé douvido, também.
agonia
impregnação
não sai da minha cabeça
(ele sabiamente diria peito).
o movimento é visceral mesmo, tá ligado? tripa pra fora e merda pra tudo quanto é lado.
e seguir procurando a beleza nas palavras e nos atos é aceitar ser bicho-ciclo, que nasce e morre, vem e vai embora.
é difícil, é dorido ser célula sentimental e revolucionária da cidade.
nos levou além
isso de ser
p arte irreal
das compreensões
e
já estamos volt.ando
.

ponto

terça-feira, 13 de setembro de 2016

é que a sede não se mata numa golada só e não sei como posso dizer isso.
são muitas viagens.
risco as paredes e em verdade, tudo que posso. passo. fico. respiro.
o sabor dos encontros, a grandiosidade de ser bicho que se encontra. falto chorar.
mas sim, não sei como posso dizer. escorreu, sabe? pelas mãos, pelas pernas, pelo rosto. me lambuzei toda. lambi o cheiro pra que hoje tivesse guardado aqui.
estamos aí.
mora um mistério bobo nas tuas palavras, me falam, eu digo que é só assim que sei ser.
não sei mais o que dizer. ou não sei dizer.
sei que foi de sol da madrugada. piscar de borboleta. assovio de chamar cobra. flor na idade. e milhões de viagens mais.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

coincidentemente, desde que parti, nunca mais te perdi.

estado da matéria
fluidez solidificada
travada

relembr.ando
o instinto dos seres voadores
muriçoca bem te vi cilios mosca
que nada me tire a liberdade de ser
bicho solto
gritam-me louca!
eu sorrio e assumo que sim, solta.
flashes perpassam minha cabeça que se perde entre cores e piscares noturnos.
amanhece.
 e já é outro dia, outra cor, outro respir.ar. estamos intima e profundamente ligados à transitoriedade da cidade.
é que, meu bem, nós transitamos de forma intransitória no coração das pessoas.
passar como o passado e os passarinhos requer treino e habilidades extracurriculares.
que maestria é ser matéria dançante em plena correria. embriago-me. deliro. lírios, tu, se desmanchando todo em lírios. uhh,
delírios.
me fumou, me bebeu, me sonhou, me chamou, me mordeu.
qual o melhor caminho pra se chegar perto?
qual o melhor caminho pra se ir embora?
ainda a des.cobrir e it's a long long long way.


chapou.


domingo, 28 de agosto de 2016

domingo, tudo dormindo
eu que amo indo
e odnatlov
acordei respirando mais leve
das belezas de se saber
passarinho que reconhece
a hora de pousar e alçar vôo
me arrepio toda pens.ando
no mistério que me chama e vou
atrás de desbravar os mundos
que habitam uma tal de.
sempre fui de ser feliz
por qualquer coisinha pouca
olhos nariz cílios boca
por um triz
vim parar aqui
olho com olhar de quem quer guardar
e me preparo pra partida
uma banda do meu coração já aceita
que nem tudo se pode abarcar com as mãos
a outra, apressada, já com o corpo no mundo, delira sobre os novos sabores que escondem os inesperados caminhos
caminho
respiro fundo
esse cheiro azul e lento de domingo
me traduziu e eu me deixei ser lida
.luz.
domingo, tudo dormindo
eu indo
e sorrindo
ainda
linda
..



.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

eu nada eu nado

procurar brechas
respirar calma
amar baixinho
existir de pouquinho
ir sem pressa
olhar em volta
olhar pra dentro
aceitar
deixar
piscar
ser
reconhecer
chorar
falar
rir
despedir
dormir
escutar
.
.
.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

razão?

seria ilusão de ótica, a vida, ou tenho, eu, essa imaginação fértil demais que me faz acreditar em viagens irreais?
acho bonito o choro, o riso, o desabrochar e despetalar.
a lua cheia faz a gente delirar, num é? é essa luz toda que lumina de sim e ilumina todo não, me deixa assim, confusa. perco os caminhos, erro os cálculos.
passo o dia por esperar abarcar nos braços os seres de energia singular dos quais eu compartilho a existência.
meu tão gasto amor, me deu hoje à noite, o melhor presente que eu poderia ganhar
um abraço apertado com tanta verdade
que saí de lá voando com o coração tranquilo e a recíproca foi de uma veracidade que... inefável
como sempre.

há de se sair pelo mundo espalhando olhos nos olhos. nas minhas ilusões do que é racionalidade, talvez eu esteja completamente enganada, mas a despeito de todos os -ão, só me entrego ao coração
então
.
.
.

domingo, 14 de agosto de 2016

te confundindo pra te esclarecer

tudo ainda muito preso aos velhos conceitos. já não aceito.
revolucionar não é isso que chamamos de viagens de fuga.
o raso da piscina. mergulho e quebro a cabeça, pela milésima vez.
não posso mais esquecer. não se resume a vida naquilo que queremos viver, às vezes é onde não queremos que se esconde os mais deliciosos sabores, sim?
as palavras-chaves já não servem para nada. não as digo mais. não quero abrir portas só pelo medo de que se não for essa, outras não poderão se abrir.
quero sentir a chuva sem medo por estar sozinha. quero ouvir o desconhecido e lamber poesia.

demorei, mas acho que entendi. não há explicação. no futuro ainda restará essas cores todas que guardaremos com muito carinho na memória, e eu sorrirei sempre que lembrar, juro.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016


No meu próximo aniversário pretendo saber que caminho quero seguir. Se quero ser pétala de flor, barulho de mar ou sei lá.
Minha casa continua no mesmo lugar.
Lar nem sempre é onde você quer estar. Hoje eu tô aqui e quero estar aqui. Isso deveria ser comemorado.
Estou bêbada e talvez não faça sentido tudo isso que escrevo. As poesias que vemos quando traduzidas perdem um pouco sua essência, num é? ou nós que nos perdemos enquanto as traduzimos? Desculpa todo esse acaso que me desencontra, já o ocaso hoje foi lindo e tinha a cor dos teus olhos quando sorrindo.
Quem pensa a cidade? Em quem a cidade pensa?
No ônibus, eu penso em tudo que nunca verei e nas pessoas que nunca conhecerei. O mistério tem esse charme singular que nos respira por dentro e por fora. Eu gosto.
Já vou. Preciso escutar.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

vivo de me preparar aos fins, percebi na tarde dessa quarta qualquer.
não precisa ser assim, eu me disse cuidadosamente... eu sei que foi dura, a vida, ao ensinar que era esse o caminho a se seguir. ora, mas o que é então o mundo, senão os infinitos caminhos e possibilidades?
ensaio as despedidas que nunca são ditas e quando sou eu que saio, fujo sem olhar pra trás,  quando não sou, e se me dão tchau, me pego sempre desprevenida, talvez planejando outras tantas impossíveis saídas.
não há como adivinhar. o que a intuição tanto tenta falar são outros quinhentos, é sobre voar em plenitude, ou em solitude, sei lá...
viver um dia de cada vez ainda nos levará além, eu sei. o que não sei é em que rua pararemos de nos questionar o porquê do mundo nos tatear assim. o significado talvez seja esse gosto amargo na ponta da língua, e não há tradução para o habitual português. lambi com os olhos uma foto que vi, hoje a tarde, fiquei nostálgica. as cores eram outras há uns anos atrás, outras virão também, e o que ficará desses dias em que não sabemos o que significar é apenas o cheiro de degradê que nos invadirá a memória sempre que lembrarmos de.
enquanto isso, vivamos, sem pensar que morreremos num minuto próximo. os futuros, muitas vezes, são apenas um furo no presente por onde o passado começa a jorrar.

hoje eu desejei aprender a falar
assim
pra fora

domingo, 10 de julho de 2016

quero vomitar esse lugar inteiro
rasgar o rosto deles
gritar
dizer que são todos feios
da feiura mais feia que existe
quero pisar em espinhos
e chorar
abrir uma ferida
em cima da ferida
que já existe em meu peito
quero sentir ódio
e me permitir
só por uns segundos
odiar
depois me rodiar 
e dormir 
e acordar sem lembrar de nada
sem saber quem sou
sem esse peso todo
hoje
se eu pudesse ser
qualquer outro animal
eu seria

quinta-feira, 7 de julho de 2016

as palavras que não são oferecidas a mim

silêncio.


eu e aquele cachorro que avistei triste na calçada, eu e ele
em carne viva.
arde aqui dentro esse aperto no peito. os portos ainda aportam, mas as janelas continuam não sendo portas! você me entende? em verdade, pouco importa agora.
amigo meu disse que minha alma é tão velha que já tá no fim da estrada. eu não acreditei, claro. logo minha alma que nasceu dia desse, antes de ontem, eu acho.
sim, eu senti! como dor de parto, como dor de alçar vôo inédito.
isso talvez explicaria essa imaturidade minha que me faz mudar rotas e planejar atalhos só por alguns olhares intergalácticos e cócegas astrais.
o mundo acontece, é assim que é, me falaram. é preciso dormir cedo e acordar cedo, acompanhar o fluxo.
então, tudo bem, talvez aos 30 eu já saiba a taboada do sete, já entenda a cidade, já pule da parte alta da ponte. talvez aos 30 eu já tenha uma compreensão do porquê tudo me aconteceu assim. talvez aos 30 eu lembre que nalgum dia esqueci e que, ainda assim, retornarei sempre a lembrar.
desculpa.
já não posso mais.
as ruas que correm dentro de mim estão todas congestionadas.
fotos, degradês, cotidiano, piscares.
anos de movimento respiratório, não tem tanto significado assim, ele me disse com os olhos.
insignificados, sim? eu perguntaria agora.

enfim



vou embora.
(eu sou a mancha azul na sua folha cheia de palavras destinadas ao mundo, flor)



silêncio.

sábado, 2 de julho de 2016

O mar a nos amolecer. O sol a nos lembrar. A areia a nos invadir. O vento a nos acarinhar. A ponte a nos pular. O pulo a nos respirar. A onda a nos cuspir. E eu a meditar
Quando o mar nos dissolver, como reconheceremos a chegada do fim? Há de haver uma luz, uma cor, um cheiro que nos indique a saideira ou é um processo puramente instintivo?
Ainda afetado pelas fugas de outrora, meu coração selvagem, corajoso, não teme as possibilidades e se propõe ainda à todas as impossibilidades
.
.
.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

dentro-fora

é cintilante
o meu desejo por ti
nada de constante
assim como tudo em mim
porque te querer
é como observar o vôo
dos bem-te-vis meio a correria
e eu bem vi como tu me olhou
enquanto eu te assistia

pêlos, sinais, bocas, piscares
....
trans
formação
de libido
em olhar,
cuidar

tem gosto de vamo ver no que vai dar

quarta-feira, 18 de maio de 2016

entre lençóis e aerosóis

o mundo anda pegando fogo
eu, aqui, recolhida no meu canto
meus pulmões, agora com 18,
se sentem no direito
de dizer o que posso
e o que não posso fazer
eu, desobediente que sou,
sobre a janela almejo:
continuarei a andar descalça no sol
e sentar bem na quintura do chão
.
.
.

acaso

nascer no tempo errado me fez acreditar que vivo sempre sob a sina de estar errada no tempo.

e estive pensando,
no meio desse monte de desencontro, nós passamos tempo demais derramando pranto
pelo medo de se perder.
mas se a perdição é um trecho inerente a todos os caminhos,
        .não há porquê Temer.
                         !!!

pelo meu ponto de vista, não saber as horas e ir embora não deveria parecer tão ruim assim, sim?

e digo agora,
eu já não tenho medo de te perder, flor.
me faz feliz só pensar que nalgum momento nos encontramos
ainda estamos
e é bom
.
.
.

tudo que vai, também fica
e, no mais,
um passarinho nunca esquece o caminho de seus ninhos
dito isso
me.dito:

só livre o amor
res
pi
ra

segunda-feira, 18 de abril de 2016

taxi lunar

Eu sei que é difícil ir,
Porque o caminho é sem volta. E sei bem quão contraditórias são as vias de uma mão só.
Daria coragem, se pudesse, mas não posso. O que posso e faço é olhar a lua refletida na poça e desej ar: ar-te.
Como quem conta sílabas, eu ando. Parece que a cabeça se perde sempre nas entrelinhas da v.ida.
Eu vou, sabe? Pior seria não voar aonde se quer.
Aceito o peito dado se as.sim for. Se não, sorrio ainda, plena que sou de mim.
É bom.
Não temo.

O olhar capta mais luz de pupila dilatada. Dilato-me.
Grande posso sentir.
E as retinas cansadas
Piscam
Querendo dorm
Ir.

Voo

Vamo?

terça-feira, 12 de abril de 2016

o perdido

amá-lo sempre foi uma de minhas especialidades
.

de cuidado com o mundo, pisco delicada
a sensação do atrito sútil dos dias, em minha pele, me deixa eriçada

se pudesse prever hoje
no que ia dar
talvez soubesse menos
do que agora sei

sigo observando a bonita tessitura da palavra
finitude

e sê-la me convida a olhar a vida
de modo que teus cabelos ao vento me parecem um paradoxo dançando no tempo

luz
luz
luz

vem, traduz

quarta-feira, 30 de março de 2016

só isso

era no toque fundamentalmente,
em tudo que ele trazia e dizia. na complexidade que se traduzia simples, num olhar, num tocar. poesia.
o corpo florescendo. o desejo cada dia mais novo e também antigo, de ver suas flores, cheirar suas cores. lembrei foi das coisas grandes que acontecem enquanto vivemos e damos atenção as coisas pequenas, aos detalhes... é isso, eu acho, o significado só vem depois de mastigado o calor.
a transitoriedade quase batendo na porta, já aquela dor na aorta, mas ainda a beleza de se saber luz e respirar por aí sendo, sentindo e sendo sentida em qualquer lugar ou circunstância.
pode ir, pode vir, eu estarei sempre aqui
em mim, embora talvez mude de ambientação externa.
o de fora conversa com o de dentro, deixa o coração pra mim.
olha esse tambor batendo bem aqui, é o que quero dizer
sabe
mas é segredo
que só se conta
quando já se está no meio da estrada

domingo, 6 de março de 2016

chave

eu sou pouquinha, quase nada
existo num espaço pequenininho e o louco é que, às vezes, nem existo
a sensação é de que é tudo coração
dos pés ao chão
queria saber se dá flor, um pé de limão
que sendo o amargo da língua, sorrio ainda, toda
de ser fruto e também fruta
talvez eu esteja bêbada, mas talvez eu nem esteja
alguém saberia
eu sei
mas eu mesmo não sei

os olhos nem são meus
e enchem de areia
penso que tal hora
devo ta virando uma bela de uma ser-ei a.h

.compasso
passo
junto
e de pé dado
passamos
o passado é sozinho
o futuro
passarinho


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

hoje quis escrever pra ti

antes de
era só estar
como não sonhar

pensando bem
talvez seja só um fruto da imaginação
tu
e eu da tua
nua

eu num tô nem aí
eu num tô nem aqui
quando sente a brasa queimar já tem se apagado a vela

bola o beck
dá um barato
e segue a vida

em sinestesia
e aquilo lá
que chamam de
poesia

inde
pendente
de

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

mercúrio na casa 1

.não sou fuga.


a emancipação dos corpos
tem a ver com o desvio de olhares?

talvez o medo
de estacionar o coração
num beco sem saída
nos deixe assim
já no meio da saideira

que as divindades ancestrais
e os seres astrais
nos livre
das coisas inertes
e unilaterais

inebrio-me com o percurso dos rios
que se refaz a cada nova sensação de vida
e que todo incerto, ele,
se mostra de um jeito
que a ida assim, mas se parece com um beijo

tenho inclinações 
a vagalumes 
e ao que pisca no mistério da madrugada

nas correrias
dos -ias
não olho
mas continuo por ver

vou
ser

domingo, 14 de fevereiro de 2016

resposta

 os pensamentos tortos da madrugada, a indigestão da noite passada, os olhos encharcados, tudo isso é relicário. relicário é o que a gente teima em não ver, relicário é a vida nos batendo e a gente se fingindo de morto pra sobreviver.
não concordei com boa parte de tuas palavras, mas chorei com a maioria delas.
obrigada.
eu vou deixar que manchem meus pulmões de murro mesmo. eu vou deixar que me rasguem o peito e o jeito até que eu seja só o que restou de mim e, talvez assim eu possa aprender a ser meu próprio relicário sem precisar temer os fins do que está par'além dessa minha in.existência.
quando parar de doer vai ser top sim, e eu espero conseguir respirar fundo quando acontecer, quero guardar na memória a sensação de poder piscar leve assim como borboleta que acaba de sair do casulo com vontade de virar ar.
é que o ar me ascende, sabe?
...
mas vem cá,
se o impossível não é eterno, me diz então, o que é eterno pra você? aliás, me diz mais, o que é só, senão o sempre? o que é eterno, além do nunca?
o ir e vir incomoda, mas se afastar do mar é permanecer na linha de conforto que ignora a transitoriedade e ensina pra gente que tudo isso não tem fim. e é por isso que a gente sofre, é por isso que o mundo desde que o mundo é mundo precisa de relicários, porque a gente não sabe lidar com o que vai embora, com o que acaba. a gente teima em se afastar do mar pra achar que ele tá mais calmo, mas ele num tá calmo não... ele quer é ser entendido, ele quer é ser vivido de perto, de certo que chegar perto é sempre uma tarefa difícil pra nós, seres racionais e passionais..........
você me diz que ser mar não arde e eu te acho um pouco caio. caio tem os olhos de mar, mas se afasta dele pra vê-lo mais calmo. o que há em mim, faz parte do que sou e do que sinto quando me queima o sol. ser mar arde. as coisas não se desintegram quando a gente as racionaliza, nem a licença poética se canaliza.

o mar é ser vivo
mas não se preocupa
ele não vai te afogar
você é peixe
sabe nadar!!!

ps: eu gosto dos nadas, então quando você me diz: "mas se pararmos pra pensar é melhor essa possibilidade do que nada", já não há pra mim nenhum significado. as inutilidades, as inexistências e as desimportâncias me interessam.
ps2: quanto ao seu agradecimento: de nada!!! (e há aqui muito significado!!!!!)
e de novo, obrigada.

http://patrycu.tumblr.com/post/139270150710/o-lugar-onde-se-guarda-as-sobras***

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

)

.o pleonasmo e a prolixidade inerentes às minhas palavras não conseguem chegar até onde se deseja a alma.

tem calma!

um dia desse eu nasci de novo. nem sei direito como foi, doeu, doeu, doeu, como dor de parto, até que um dia eu pisquei e uh, nasci. foi assim.
mas não é isso ainda.
passar o dia pensando em impossibilidades faz a gente querer escrever sobre o cheiro da cor laranja e a textura sentida pelas mãos quando o coração fica todo arrepiado.
parece piada acordar no meio da madrugada sentindo a dor de existir e querer, ainda assim, fugir pra algum lugar que não aqui, apenas com a vontade de.... existir. embora não seja esse o contexto dos dias e noites a se seguir.
em transição solar os dias caminham para um tempo de..... cor de degradê.
nascer me fez lembrar dos sabores novos que preciso provar.
a noite-informação me faz delirar em viagens tortas. minha língua, nem saliva. prefiro ainda a lentidão lunar, entre suspiros e cócegas astrais.
mas
eu sou a hora errada do relógio
e isso há de ser compreendido!!!
não que eu não goste, rs, é que.... há também os empecilhos de não poder ser parede concreta meio a cidade cinza.....
será???
bem, desconfio.
intenções etílicas respirando junto ao exótico movimento que é voar com os cílios e também dançar entre piscadas eróticas e subliminares
me deixam a pensar

difícil a frase
acho que já vou

respiro

dou tchau
e olho pra trás


(nada dito

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

como se o coração tivesse antes que optar entre o inseto e o inseticida




a eterna expansão dos astros
a eterna expansão dos átomos
da compreensão que talvez nem seja nossa, então?
no peito guardado uns rabiscos tradutórios
não é conversa de ciência ou assuntos modernos, tampouco viagens pós-modernas
só o que não há no oco
só o que o sentir alcança e o pé, não

a dança do que a pisada não acompanha

não é sobre apanhar
muito menos amansar
mas existir

aqui

talvez onde não se cabe
talvez onde só se é

borboletei numa casa que não minha e o que tinha
eu me identifiquei
mas não fui
e eu sou

hoje não há sol
ele amanheceu dentro de mim
mas agora já se foi
e chove
não há guarda-chuva pro que molha dentro
sim?
nem se mata o que passeia

je vole

dos refúgios de se comunicar
invento umas palavras e é assim que me explico
e é assim que me sinto
vôo fora da asa
e o corpo que .muito. indaga
diz que não
tu acredita?

(que esse embolo todo seja só razão?
logo onde se pulsa tanto coração.....)

aqui dentro é sempre mais lindo
na saudação

porque saudade e verdade
podem também
andar na contramão

seria uma via de mão dupla
ou já não caminham as linhas da palma das contradições?



. e como impressão digital
identifica
e única
.fica

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

até onde a visão não alcança

meu peito todo aberto, o quarto todo escuro, o peso todo do mundo, a leveza da flor que não pensa só sente, os ombros que carregam tudo......
sim, desse jeito. e só.

tava tudo aberto, 
as janelas, as portas, as feridas, as fossas...
os pés querendo andar, o corpo querendo fechar....

e só o coração querendo ficar.


de tudo que se quer dizer e
;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;; cala
de tudo que se quer calar e
;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;; diz

tudo dito
nada feito
fito e deixo?

coração na mão, nos pés, as tripas, nos olhos, as mãos 
e luz,
mas essa, só na imaginação.
aqui
tudo escuro
ainda

essa burrice-opcional do não-ser
embaraça a compreensão
junto com meus novos fios de cabelo
que os antigos,
já muito enroscaram em um tempo de lentidão solar 
e foi bom.

agora
o que vejo enquanto pisco
é a visão mais bonita
da minha noite
e quiça do meu dia
.
como um filme irreal
de cor e ritmia.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

na lua, o céu
na polícia, a rua
lá em cima, poucas estrelas
aqui em baixo, muitos humanos

foi assim
injusto

os vômitos no chão,
aquela pressa 
aquela ansiedade
aquele movimento

ir ir ir vir vir vir 
aqui aqui aqui
eu eu tu tu 
nós
ela ele
eles 
elas
ninguém

onde se pousar?
perguntam os olhos
perdidos entre sal e maldade
no escuro da noite

depois de umas doses 
nada permanece no seu lugar
nem eu
nem céu
o corpo celeste
também tem intenções etílicas?
bom....

ousar responder
é ousar também o quê?
saber?
............
.....
.....

sobre a noite incerta
eu me deito
e me deixo


ir

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

mistério é tudo que pisca a madrugada

procurando qualquer coisa que aumentasse esse catarro no peito
esse vício não novo, mas nem tão velho assim, por cigarro, te deixa sem jeito
não deixa esquecer aquilo tudo que já foi
aquele tempo bom
em que nascer era acordar
e viver era apenas sonhar?
não, não apenas
antes fosse só
penas
senas
cenas
não, mais mais mais
até que no fim não era mais nada
tudo não existe
nada sim existe

a cor castanha adentrando os poros do pensamento
até que todas as cores e cheiro das flores se tornassem um reflexo
colorido do castanho escondido
é que o significado, às vezes, não chega ao alcance das mãos
e há de se ter paciência, esperar
até que brote mais uma flor no calçamento
e relembre do sol e chuva a se seguir,
da estrada de vento onde se caminha e reinventa
a dor

ah, dor
se quiser matar
que mate
se quiser curar
que cure

da vida, não mais o que se duvida
da ida, não mais o que de partida
coração já em pedaços
acha bonito esse retalhado de imagens
que se forma ao olhar pra dentro
é poético, diriam
riria porque o que se passa
é totalmente diferente
do que abarca essa compreensão
e passa, ainda
e passa, linda

o por-do-sol se esconde por trás das nuvens
e por limitação não se pode enxergar

permanece lindo, concluo.

é assim
e um dia há de fazer sentido
sim?

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

sabiá sabia já

me perdi me encontrei na contramão dobrei
seria a vida essa eterna procura ao encontro consigo
ou seria a vida essa eterna busca a novos caminhos e perdições?

o ano começa, eu ainda me sinto no meio da estrada. estrada que tem como destino o caminho que caminho e que se faz a cada amanhecer. ontem pensei não sou, hoje pensei eu sou, e amanhã quem saberá de mim, senão eu mesma? 
o que escrevo é sempre incerto e contraditório, digo, cuidado, você que agora me lê. há de se ter moderação ao beber essa licença poética toda assim de uma vez só. 
dado o aviso, continuo.

quero alçar vôo ainda. já tenho asas e tenho aprendido a voar. aprendo enquanto vivo, e sigo, também, aprendendo enquanto ensino. gosto das trocas recíprocas. 
e amo
amo amo
o torto, 
quando em sua sinceridade, quando ele é a expressão fiel do que se há no coração.
entre tantos amores que trago, há também aquela sensação de inquietude que se esconde debaixo do peito sempre que vem a mente aquele sabor na língua. incompletude? não. eu não saberia definir pela sua profundidade em minha vida, mas é uma inquietação que sempre me leva à tanta cor, que às vezes me pergunto, não será bom?.....
fica o questionamento pra mim, e pra os que me lêem.
ainda tento assimilar essa transitoriedade toda que me cerca, e ao que também tanto se diz intrasitório quando questionado olho-no-olho. tudo passa? não sei, mas o passarinho sabe e um dia ele há de me contar.
e enquanto espero contenho em mim todas as coisas que não podem ser ditas


já me vou
adeus

a vocês, a (boa) noite que desejam
a mim, a noite que me coube o destino e as consequências de meus atos 
....

ráaaa
bye bye