quinta-feira, 7 de julho de 2016

as palavras que não são oferecidas a mim

silêncio.


eu e aquele cachorro que avistei triste na calçada, eu e ele
em carne viva.
arde aqui dentro esse aperto no peito. os portos ainda aportam, mas as janelas continuam não sendo portas! você me entende? em verdade, pouco importa agora.
amigo meu disse que minha alma é tão velha que já tá no fim da estrada. eu não acreditei, claro. logo minha alma que nasceu dia desse, antes de ontem, eu acho.
sim, eu senti! como dor de parto, como dor de alçar vôo inédito.
isso talvez explicaria essa imaturidade minha que me faz mudar rotas e planejar atalhos só por alguns olhares intergalácticos e cócegas astrais.
o mundo acontece, é assim que é, me falaram. é preciso dormir cedo e acordar cedo, acompanhar o fluxo.
então, tudo bem, talvez aos 30 eu já saiba a taboada do sete, já entenda a cidade, já pule da parte alta da ponte. talvez aos 30 eu já tenha uma compreensão do porquê tudo me aconteceu assim. talvez aos 30 eu lembre que nalgum dia esqueci e que, ainda assim, retornarei sempre a lembrar.
desculpa.
já não posso mais.
as ruas que correm dentro de mim estão todas congestionadas.
fotos, degradês, cotidiano, piscares.
anos de movimento respiratório, não tem tanto significado assim, ele me disse com os olhos.
insignificados, sim? eu perguntaria agora.

enfim



vou embora.
(eu sou a mancha azul na sua folha cheia de palavras destinadas ao mundo, flor)



silêncio.

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