quarta-feira, 9 de maio de 2018

Ainda Assim Eu Me Levanto – (“Still I Rise”)

Você pode me inscrever na História 
Com as mentiras amargas que contar, 
Você pode me arrastar no pó 
Mas ainda assim, como o pó, eu vou me levantar. 
Minha elegância o perturba? 
Por que você afunda no pesar? 
Porque eu ando como se eu tivesse poços de petróleo 
Jorrando em minha sala de estar. 
Assim como lua e o sol, 
Com a certeza das ondas do mar 
Como se ergue a esperança 
Ainda assim, vou me levantar 
Você queria me ver abatida? 
Cabeça baixa, olhar caído? 
Ombros curvados com lágrimas 
Com a alma a gritar enfraquecida? 
Minha altivez o ofende? 
Não leve isso tão a mal, 
Porque eu rio como se eu tivesse 
Minas de ouro no meu quintal. 
Você pode me fuzilar com suas palavras, 
E me cortar com o seu olhar 
Você pode me matar com o seu ódio, 
Mas assim, como o ar, eu vou me levantar 
A minha sensualidade o aborrece? 
E você, surpreso, se admira, 
Ao me ver dançar como se tivesse, 
Diamantes na altura da virilha? 
Das chochas dessa História escandalosa 
Eu me levanto 
Acima de um passado que está enraizado na dor 
Eu me levanto 
Eu sou um oceano negro, vasto e irriquieto, 
Indo e vindo contra as marés, eu me levanto. 
Deixando para trás noites de terror e medo 
Eu me levanto 
Em uma madrugada que é maravilhosamente clara 
Eu me levanto 
Trazendo os dons que meus ancestrais deram, 
Eu sou o sonho e as esperanças dos escravos. 
Eu me levanto 
Eu me levanto 
Eu me levanto! 


Maya Angelou

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