dentro de mim corre um riacho
quando é tempo de estiage
ele seca de num ficar uma lágrima sequer
agora se o inverno é bom
em janeiro já tem água
nessa época
quando é de madrugada eu acordo pra sonhar
molho antes de tudo os dois pés
um pé pede licença e o outro pede a bença
na correnteza
passa peixe, desejo, passa seixo, passa vontade
e passa até segredo
tem o que fica pra trás
e o que vai ficando pra frente
sim, eu sei
há algo naquele segredo
que ainda não ouso tocar
reconheço com respeito
pedra pequena que sou
frente esse imenso lajedo
e não apresso, nem adivinho
calma, observo a água passar
quero sem despertador
ouvir o galo cantar
e quando é de manhã cedinho
ainda molhada
o primeiro mijo do dia
vai descendo quente de dentro de mim
vou lembrando a afluente sou
e então
e então
eu deixo ir
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