o país pegando fogo
e sei lá como
ainda tenho cabeça
de pensar em poesia
há uma rua no meu imaginário, dobro sempre que ela me chama. as portas pressa rua me parecem sempre abertas. e aí que andando sozinha à noite numa cidade que pouco conheço, perigos à esquina,
me deixo ser levada por essa vielinha
que me chama lá dentro. dobro nela antes de dobrar na rua do medo. ela me puxa conversa sobre amor, eu que me faço toda ouvidos quando alguém me começa a contar de seus amores
vivos ou já vividos.
gosto de acreditar
que a melhor forma de conhecer alguém é observar a forma como ela fala de seus amores. quando começo a amar alguém reverencio antes todas as pessoas que ali naquele corpo amaram ou amam, como um gesto de respeito e licença. nisso não me atenho só aos amoresromânticossexuaisseiláoque, gosto de me atentar a todas as variações em que ele pode se mostrar. lembro de meus amores e converso com eles à distância.
o amor sendo meu maior escudo, acabo por me sentir protegida
aos que já foram aos que estão e aos que virão
agradeço e os saúdo.
saio pela rua trilhando mapas que a geografia não alcança, de peito aberto
avanço
.
campina grande, 19.10.18}
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