sexta-feira, 18 de novembro de 2016

rastejo

delicadeza de ser
o atrito sútil de quando a gente consegue
e a vida permite
pisar mais leve
olhar diferente
noutro ângulo
outro ponto de partida
fim ou início?
de quantos mais artifícios nos utilizaremos
para pormos pra fora tudo isso
que transcorre?
falta coragem ainda, diria
medo, sabe? daquilo que não podemos apalpar
o intangível
um dia, eu, carne osso alma
saberei ser mais leve
    se é que é questão de saber)



tent.ando




segunda-feira, 14 de novembro de 2016

omito desinências
nunca gostei dessa brincadeira, mas bebo agora da água
quantas siriricas batidas serão suficientes para?
pedalei quilômetros, hoje, no intuito de me exaurir, quem saberia se desse modo eu num conseguiria me perder noutros pensamentos que não essa contradição toda a sina o desatino
não deu
mas vou conseguir
ainda

lá fora a lua cheia
aqui dentro tudo meio
palavra demais
racionalidade demais
pra que serve tudo isso
se no fim do dia
eu não poderei
nem por hipótese alguma
cogitar
a existência de seres invisíveis que dão sentido às contramãos e aconselham sempre a caminhar pelo coração?

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

ela subiu na minha barriga delicadamente, me olhou nos olhos com a profundidade de quem quer entrar. deitou em cima dos meus peitos, desconfio que ela gosta de me ouvir pulsar. e naquele instante em que dividíamos o momento, conversavámos também telepaticamente. a conexão de se saber quando piscar e porquê.

eu tenho duas gatas
que me olham nos olhos
e
que me conhecem como ninguém mais ousou. sabem tudo que penso, quando penso, em quem, onde etc. sabem paralém de tudo meus segredos e me aceitam assim
como sou


domingo, 6 de novembro de 2016

utopia

eu vou escrever
e só deus (com d minúsculo) sabe o quanto eu não queria precisar escrever
eu já tentei de tudo
mandiga oração
vai ver o negócio é forte mesmo
eu sei que é loucura essa coisa toda, mas nós também não somos?
o mal não é fome, comi agora há pouco.
não dói, mas é tipo uma coceira, um zunido no pé douvido.
gemido.
três da madrugada. eu estava aqui e observei o cheiro das cores e a forma como se encaixava o suvaco e as gatinhas no meu ponto de vista.
eu sou ainda encabulada pra falar de certas coisas num blog da internet, e aí preciso de códigos que me traduzam sem que eu me deixe ser lida.
parece delírio, tudo. se alguém contasse eu não acreditaria.
se eu acredito no amor?
ora
...
não sei
se for lembrar com nitidez e singularidades o cheiro das cores que nos perpassam e pintam, sim
eu pulso com força e talvez isso nos assuste, a princípio
todas as rotas de fuga que planejo terminam por me levar ao mesmo lugar, embora outra (eu), pois adaptada às novas paisagens, mas há algo de mesmo sabe no destino na parada do ônibus
são muitas eternidades e não sei mais como não pensar ou como tentar não pensar
é grande
e ocupa muito espaço
nas nossas ilusões pessoais, as utopias são plenas e é isso que nós somos


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

ao passo que

rotas de fuga
fossas
fodas
a
a
a
aponto
es-
trela

a distância que separa meu dedo mindinho do outro lado da rua
não é tão dorida assim, concluo
o nó na garganta não desce
não importa o tanto de água que se beba ou chore
por ora
conhecer novas paisagens 
me parece um bom caminho

.indo

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

tocar onde ninguém chega, ir lá
olhar fundo
e deixar que venham e ir junto ir separado ir
como quem sonha, como quem deseja, como quem fecha os olhos e suSpira
o que nos guia o que nos une o que nos faz estar aqui e agora
encontrar-nus
grandiosidade de ser
do peso de um mundo que não é só nosso, então.

sigamos
porque fomos nós
que trabalhamos como trabalham as formigas
cantamos como cantam as andorinhas
esperamos como esperam os caracóis
sigamos
porque
esse choro é de água que não mata sede e nossas gargantas já estão secas
sigamos, pois,
as curvas do que está por vir serão mais gostosas de sabor depois do que trocamos um a um
sigamos

que a vida é uma viagem
e estamos só de passagem
já dizia leminski e suas asas de pedra