quinta-feira, 11 de maio de 2017

além


alguns amores a gente nem entende
faça cheiro de chuva ou cheiro de sol
eu sei que há alguns anos a gente era nova demais e tinha mania de olhar um ao outro falando palavras-chaves, que nem sempre condiziam com o alcance dos nossos passos
eu sei que foi linda a forma que se esbarramos e se reencontramos pela vida
eu sei que é dorido deixar que te entrem assim com suas bagagens, te arrombando todas as portas
(desculpemo-nos então)
mais difícil é ter que construir um muro depois de tantas vezes sem saber como se chega perto e fica
depois destruir os muros
e contrui-los de novo
até aprendermos a lidar com as janelas
eu sei que o amor não se mede em palavras, mas lembro dos dias em que esquecemos disso
e sei que hoje te observei dormir com um sentimento bom de liberdade e pertencimento, que no intervalo entre o sono e o despertar eu não disse nenhuma vez que te amava
não precisou dessa vez
eu sei que as prisões de nada protegem os amores, e uma hora a gente se apercebe que não nos cabe os braços de abarcar o mundo inteiro,
mas o coração sim
na sua primeira tatuagem você me jurou eternidade, só passado algum tempo que descobrimos, pra sempre não existe, então na segunda, eu senti como que um insight, atemporalidade
anos de 2014 eu não imaginaria que até hoje eu ainda não entenderia
mas foi gostoso acordar num dia de hoje respirando calma, sentindo que é grande demais o universo que nos cerca e que vai dar certo os infinitos caminhos que nos caminham
e aos infinitos amores que ainda temos a amar
não há problemas em irmos embora quando assim quiser ou precisar, nem em voltar pra contar as histórias da estrada, dos sabores e cheiros provados
não se limita a v.ida numa cor só
é tudo questão de estar
perdendo a noção do que é ter noção
do perder.

primeira, segunda, terceira pessoa do singular ou plural 

terça-feira, 25 de abril de 2017

algo maior algo a ver com ciclos que precisam acontecer?


é pesada a bagagem que carrego do mundo comigo, de começo, nem tanto, depois de um tempo as pessoas se apercebem.
a gente, querendo ou não traça caminhos e rotas de fuga. não está nas minhas mãos. eu correria muitos quilometros gritando pra tentar tirar esse aperto no peito, dói, mas sei que talvez um dia melhore.
é um pouco de compreensão também tudo isso, no momento não a tenho e estou cansada.
foi longa a estrada e eu morri na praia.
mas já levantei e estou aqui.
estou aqui.

sim, foi cruel prever como previ. demorei pra perceber, mas já não tento mais. como poderia, aguentar o peso do passado, presente e ainda do futuro? é injusto, com o mundo e comigo. deixa que me perpasse a pele quando eu chegar lá.
até que aconteça, tentarei fortalecer minhas pernas pra poder me carregar e também correr com maestria.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

descobrir buscar

desfragmentar é tantas vezes racionalizar.
memórias, historias, laços afetivos, nós cegos.
voltar uma, duas, três vezes
até que se saiba,
se dê motivo,
há de se ter uma justificativa para.
é preciso dividir, realocar, cá e lá, fora e dentro.
a dor de separar o joio do trigo.

escute,
estou perdida e há um caminho que sempre me chama
e eu vou
pelo sabor, pela cor
e pelo costume, também, admito
mas já não posso mais
e e e e e
e
eu me prometi que não iria mais ali, não dobraria mais aquela esquina naquela rua com cheiro de domingo...
desde de então só fui lá em pensamento, juro. massssssss....
af...
e aí mudo de assunto, penso noutras histórias, outros rumos (há sim possibilidades mil.

talvez, noutros contextos e paisagens, eu ainda passe por isso tantas e tantas vezes nessa v.ida, mas escolho acreditar que no futuro terei mais destreza e menos desespero quando o futuro for um furo no presente por onde o passado começa a jorrar
.
.
.
,
penso-desfragmento-racionalizo
de que serve tudo isso? essa razão toda?
não sei e não cabe em mim a explicação,
nomes técnicos, teoria.

qual seria, então, a opção?
...........
.....
.... aquele famoso caminho?





não

domingo, 9 de abril de 2017

tu não te moves de ti

não gosto mais de escrever. é isso.
dói, 
mas num é nem a dor que me impede.
o negócio é que não posso fugir de mim, nunca, nem por um dia, nem por um instantinho sequer.
escrever me lembra
que eu sou eu há muito tempo, que minhas costas estão cansadas e o mundo ta pesado.
e que eu não quero mais... 

o que?
ser ou lembrar?
não sei.
pensei em esquecer só até quando teus olhos não tiverem mais efeitos sobre mim,
depois eu lembro de novo 
e aí vejo como é que fica.

por enquanto me dedico a aprender formas de colocar tudo pra fora que não necessitem de palavras ditas ou escritas. quero agora a cor, a imagem, o som... o toque?

sexta-feira, 31 de março de 2017

des afiar

às vezes eu queria esquecer quem sou
só pra poder ser outra cousa
quem sabe assim
eu conseguiria
chegar
entrar
ficar
.





segunda-feira, 13 de março de 2017

mulher selvagem

ela
isso de se saber selvagem, bicho-ciclo, passarinho, viajante, ser rastejante.
sei que as palavras somem. mas e se eu decidisse falar? e se fosse sobre paixão?
é novo o sabor que me chega a língua, e tem um tom todo misterioso que só ela. por não saber o que fazer, só sinto e me deixo ir.

dedico, então, a poesia das possibilidades infinitas. nós merecemos.

sábado, 11 de março de 2017

escritos de um passado nem tão distante assim. passou.

eu te negaria um beijo
e um pulo da ponte
mas não desviaria dos teus olhos
ao me encarar
e ainda te pararia no meio da correria da cidade
pra um abraço apertado
onde eu choraria de dor e felicidade
amor
esse bicho de sete cabeças
essa cobra com asas
tuas mãos nos meus peitos
eu estou com medo
meu já tão gasto amor
quantas calçadas dessa cidade
já não tem o nosso registro
fotográfico afetivo artístico
de lágrimas e riso?
está tudo guardado

assobio canto de alçar vôo nem-tão-inédito-assim
como tu me dançou uma vez:
alegria de um pássaro em busca de outro verão


e você não saberá das incontáveis siriricas que bati pensando a fugir de ti.

11/16