meus pés
número 34
estão tranquilos
quebraram na última semana
duas chinelas
caminharam muitos quilômetros
estão vivendo bem suas vidas
não estão tristes
eles me ensinam a sorrir enquanto caminham
ir é o caminho
e nós estamos indo
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
jô tem olho de estrela e coração de tambor
se eu penso nela mais tarde a encontro
parece um tipo de encanto
gosto dos seus ouvidos e do jeito que suas mãos tocam o mundo
junta a gente pensa em passarinho, ovo, caixa d'agua, mãe, bicho, batuque, erva doce, cartas, devagarinho
vamos rindo a vida, acreditando que nossos pés são
uma ponte pro que se recita
as vezes penso que a gente é irmã
mas nunca disse isso a ela
um dia eu digo
jô, sua vida me fortalece por dentro
e me faz crescer por fora
e me faz crescer por fora
terça-feira, 9 de outubro de 2018
como reagir?
não estou feliz
e quero poder dizer isso
sem culpa
sem precisar pedir desculpa
quando eu nasci
não sabia pensar
minha mãe sim
talvez ela tivesse triste
um tempo antes deu nascer
isso pode ter me ensinado
a rir muito para alegrá-la
hoje eu não tô feliz
sinto medo saudade
vulnerabilidade
mas não quero a proteção de ninguém
quero me sentir segura por ser eu
pela cor da minha pele
pelo que tenho entre as pernas
por quem escolho amar*
pelo lugar de onde vim
não quero que um Senhor
venha me ditar
o que devo fazer
pra onde devo ir
que se eu não obedecer
ele manda me bater ele manda me matar
ele me tira os direitos de ser
mas se de duas pessoas
uma me odeia
isso quer dizer
o que?
não sei o que pensar
mas eu já sei pensar
me lembro de pensar a primeira vez aos 3 anos
hoje eu penso de uma maneira mais elaborada
talvez menos objetiva
acontece que penso
mas não sei o que fazer
sinto, então
medo dor saudade vulnerabilidade
vontade de ir de gritar resistir
ligo pra minha mãe ela ri
diz que ta animada
não vai desistir
.....
acho que ela quer me alegrar
digo que tô triste
e ela diz
não fique assim.
e quero poder dizer isso
sem culpa
sem precisar pedir desculpa
quando eu nasci
não sabia pensar
minha mãe sim
talvez ela tivesse triste
um tempo antes deu nascer
isso pode ter me ensinado
a rir muito para alegrá-la
hoje eu não tô feliz
sinto medo saudade
vulnerabilidade
mas não quero a proteção de ninguém
quero me sentir segura por ser eu
pela cor da minha pele
pelo que tenho entre as pernas
por quem escolho amar*
pelo lugar de onde vim
não quero que um Senhor
venha me ditar
o que devo fazer
pra onde devo ir
que se eu não obedecer
ele manda me bater ele manda me matar
ele me tira os direitos de ser
mas se de duas pessoas
uma me odeia
isso quer dizer
o que?
não sei o que pensar
mas eu já sei pensar
me lembro de pensar a primeira vez aos 3 anos
hoje eu penso de uma maneira mais elaborada
talvez menos objetiva
acontece que penso
mas não sei o que fazer
sinto, então
medo dor saudade vulnerabilidade
vontade de ir de gritar resistir
ligo pra minha mãe ela ri
diz que ta animada
não vai desistir
.....
acho que ela quer me alegrar
digo que tô triste
e ela diz
não fique assim.
domingo, 30 de setembro de 2018
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
somos todOs iguais?
quantos abortos clandestinos quantas mulheres mortas negras pobres quantos socos na cara mesas quebradas portas arrombadas vozes silenciadas liberdades privadas corrente estupro tiro corpos negados
tiveram que existir
pra tu
vir aqui
com essa voz essa cara esse olhar
me dizer
nem eu
nem meu vocabulário
nem minha piada
nem minha piroca
nem meu pai
nem meu amigo
nem meu umbigo
nós não temos nada a ver com isso
domingo, 23 de setembro de 2018
cartografias possíveis
a colonização escondeu de nós muitos segredos
os mapas que faço ou imagino
querem em suas rotas desvendar segredos descolonizar caminhos
inventar novas formas de ir e vir
estar tranquila quanto as distâncias geográficas
compreender que nada mais é
que a necessidade nossa de percorrer livre alguns dos infinitos caminhos que nos é oferecido
sem que seja preciso marcar território nos lugares ou pessoas das quais atravessamos
crio mapas afetivos com novas formas de territorializações
desterritorializo se preciso
e quando menos espero
a gente acaba por se encontrar numa nuvem, texto, cisco de passado-futuro, mensagem enviada nalguma rede social
descolonizar os carinhos talvez passe também por isso:
descobrir novas maneiras cartográficas de como encurtar os abismos que existem entre n ó s
sem que precisemos maltratar prender torturar nossas estradas e mapas presentes nas linhas de nossas mãos
respeitemo-nus
os mapas que faço ou imagino
querem em suas rotas desvendar segredos descolonizar caminhos
inventar novas formas de ir e vir
estar tranquila quanto as distâncias geográficas
compreender que nada mais é
que a necessidade nossa de percorrer livre alguns dos infinitos caminhos que nos é oferecido
sem que seja preciso marcar território nos lugares ou pessoas das quais atravessamos
crio mapas afetivos com novas formas de territorializações
desterritorializo se preciso
e quando menos espero
a gente acaba por se encontrar numa nuvem, texto, cisco de passado-futuro, mensagem enviada nalguma rede social
descolonizar os carinhos talvez passe também por isso:
descobrir novas maneiras cartográficas de como encurtar os abismos que existem entre n ó s
sem que precisemos maltratar prender torturar nossas estradas e mapas presentes nas linhas de nossas mãos
respeitemo-nus
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