olho meu email
olho meu zap
olho meu insta
olho meu feice
nenhuma mensagem
nenhuma novidade
oh coisa boa
olho meu blog
lembro que num sei mais escrever nem entender poesia
mas anos atrás eu sabia
sábado, 9 de novembro de 2019
domingo, 20 de outubro de 2019
sento pra pensar ao meio dia
na sombra do juazeiro que há em minha memória
não que me tenha faltado chuva,
mas talvez estratégias de armazenamento d'água
os açudes de dentro de mim
são ultrapassadas artimanhas de dominação,
num quero mais isso não.
quero ter estoque de chorar
de água limpa boa,
assim pra cada lote da memória
construirei uma cisterna bonita
de placa
autonomia pras minhas lembranças
beber, chorar, tomar banho.
tem lembrança que gosta de escovar os dentes
ainda que eu num goste
tenho de respeitar, num é? deixar livre
quer escovar, escova
digo aos esquecimentos, tudo vai melhorar
nada de açude pra evaporar disputar com bicho cabrito bicho vaca cagar memória que mora perto se beneficiar
esqueço e lembro
lembro e esqueço
sonho e lembro
esqueço e sonho
mastigo uma folha de juá
e já num adoeço mais
na sombra do juazeiro que há em minha memória
não que me tenha faltado chuva,
mas talvez estratégias de armazenamento d'água
os açudes de dentro de mim
são ultrapassadas artimanhas de dominação,
num quero mais isso não.
quero ter estoque de chorar
de água limpa boa,
assim pra cada lote da memória
construirei uma cisterna bonita
de placa
autonomia pras minhas lembranças
beber, chorar, tomar banho.
tem lembrança que gosta de escovar os dentes
ainda que eu num goste
tenho de respeitar, num é? deixar livre
quer escovar, escova
digo aos esquecimentos, tudo vai melhorar
nada de açude pra evaporar disputar com bicho cabrito bicho vaca cagar memória que mora perto se beneficiar
esqueço e lembro
lembro e esqueço
sonho e lembro
esqueço e sonho
mastigo uma folha de juá
e já num adoeço mais
sábado, 5 de outubro de 2019
não tenho medo da morte,
na rua ando tranquila
tomando banho de chuva
ou tomando banho de sol
não vou conjurando doença
ou qualquer outra sentença
e aí que se me lembro
separo minutos do dia
só pra pensar na morte
assim posso ir me acostumando
com os inícios
com as partidas as entradas e as saídas
não tenho medo da morte,
porque também sou bicho nato
mas só num me acostumo
com porcaria de assassinato
aí tenho medo e tem dia que a noite até rezo choro sei lá o que
de morte matada tenho medo
de arma tenho medo
de privação de liberdade tenho medo
hoje eu vou dormir tranquila
sem ter pesadelo com polícia
e amanhã vou acordar calma
sem ter medo da vida
na rua ando tranquila
tomando banho de chuva
ou tomando banho de sol
não vou conjurando doença
ou qualquer outra sentença
e aí que se me lembro
separo minutos do dia
só pra pensar na morte
assim posso ir me acostumando
com os inícios
com as partidas as entradas e as saídas
não tenho medo da morte,
porque também sou bicho nato
mas só num me acostumo
com porcaria de assassinato
aí tenho medo e tem dia que a noite até rezo choro sei lá o que
de morte matada tenho medo
de arma tenho medo
de privação de liberdade tenho medo
hoje eu vou dormir tranquila
sem ter pesadelo com polícia
e amanhã vou acordar calma
sem ter medo da vida
sábado, 28 de setembro de 2019
escrever sem sentir medo do que sou, do que vivi, do que por ora posso dizer. deixar que as palavras saiam soltas peladas fantasiadas choradas gritadas bonitas exageradas. que quando me coloco assumo a responsabilidade e isso não deve doer. há de se ter compromisso com aquilo que se acredita. no mais, é tempo de enquanto caminha enxergar possibilidades e ir, se abrindo.
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
sento pra digitar
quero, no entanto, não só me salvar
mas, sobretudo, aprender a entrar sair estar
aos nove anos de idade, eu possuía certa sagacidade que hoje se muito me esforçar até consigo acessar. me esforço, então.
digo agora, que se for pra ser assim, não vai rolar oh. digo firme, aos vinte um anos que tenho. não quero, não preciso, não mereço. mereço sim o sol quente na pele, as mãos abundantes de trabalho, a mesa cheia de comida, os olhos marejados de seja qual for o que na hora sinto, a boca aberta pra falar pra sorrir gargalhar. é isso que mereço, molhar café no pão, cama quentinha no frio, quarto com mesa pra estudar, ouvidos atentos, olhos, mãos. é isso.
e se nesse momento preciso ter paciência, que eu tenha sabedoria de tê-la ao meu lado, sem grandes sofrimentos.
o futuro não sendo agora, posso pois com ele me comunicar.
sento pra digitar.
não me sinto só. de modo que não sinto vontade nem saudade de estar onde não quero.
moro em bananeiras, tenho uma gata chamada maya. maya gosta de ser bem cuidada. às cinco e meia da manhã maya me acorda pra que eu me arrume pro colégio e bote sua comida.
aos pouquinhos vou compreendendo os passos que dei aquele dia lá, o desvio, o desespero seguido de tranquilidade. daí que me inspira a ler o que não entendo, vai que é igual aqueles passo lá... aos poucos vai chegando o entendimento. anota isso aí...
quero, no entanto, não só me salvar
mas, sobretudo, aprender a entrar sair estar
aos nove anos de idade, eu possuía certa sagacidade que hoje se muito me esforçar até consigo acessar. me esforço, então.
digo agora, que se for pra ser assim, não vai rolar oh. digo firme, aos vinte um anos que tenho. não quero, não preciso, não mereço. mereço sim o sol quente na pele, as mãos abundantes de trabalho, a mesa cheia de comida, os olhos marejados de seja qual for o que na hora sinto, a boca aberta pra falar pra sorrir gargalhar. é isso que mereço, molhar café no pão, cama quentinha no frio, quarto com mesa pra estudar, ouvidos atentos, olhos, mãos. é isso.
e se nesse momento preciso ter paciência, que eu tenha sabedoria de tê-la ao meu lado, sem grandes sofrimentos.
o futuro não sendo agora, posso pois com ele me comunicar.
sento pra digitar.
não me sinto só. de modo que não sinto vontade nem saudade de estar onde não quero.
moro em bananeiras, tenho uma gata chamada maya. maya gosta de ser bem cuidada. às cinco e meia da manhã maya me acorda pra que eu me arrume pro colégio e bote sua comida.
aos pouquinhos vou compreendendo os passos que dei aquele dia lá, o desvio, o desespero seguido de tranquilidade. daí que me inspira a ler o que não entendo, vai que é igual aqueles passo lá... aos poucos vai chegando o entendimento. anota isso aí...
domingo, 18 de agosto de 2019
paro e penso
por que todo esse alvoroço
essa agonia essa vontade de parar
de escrever em primeira pessoa
não faz sentido isso
quero dizer
eu sendo eu
não posso dizer?
apois
vou continuar fazendo
agora que sei que posso
que sou uma jovem de 21 anos
negra bissexual
e tenho sim esse poder
de dizer
o que sinto o que sou o que penso
de fato estou aprendendo ainda
a escrever a falar a pensar
e estar aqui
me faz acreditar
sendo assim me dito
por que todo esse alvoroço
essa agonia essa vontade de parar
de escrever em primeira pessoa
não faz sentido isso
quero dizer
eu sendo eu
não posso dizer?
apois
vou continuar fazendo
agora que sei que posso
que sou uma jovem de 21 anos
negra bissexual
e tenho sim esse poder
de dizer
o que sinto o que sou o que penso
de fato estou aprendendo ainda
a escrever a falar a pensar
e estar aqui
me faz acreditar
sendo assim me dito
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