domingo, 1 de setembro de 2024

 não fugir nem encarar muito fortemente a palavra
com ela tudo de brincadeira
aproveitar o tempo da semente
isso que pode vir a ser qualquer coisa
fruta podre comida de bicho
fazer mais que falar
o pensamento é um balde cheio d'água
a palavra é a roupa pra lavar
passa os dia tudo chovendo
desperdício de tempo não
mas um bocado de frase sem ter pra onde bodejar
água seguindo o seu caminho
vai desdobrando as raivas de dentro
palavrão do tamanho do mundo
desejar tudo de ruim
fogo ardendo gelado o coração um pano de chão molhado
um pião rodando num quarto fechado até que passe que passe que passe
o balde escorrendo faz tempo
grito entalado feito madrugada esperando o galo cantar
encanto sem letra nem palavra nem frase
um pouco do que se aprende observando e fazendo
por isso essas letra aqui tudo rebolada sem dizer nada
acumular besteira é a aptidão primeira de tudo q pode ser descrito
e jogar fora é a brincadeira de maluvido

 

 

 julho 2023


terça-feira, 30 de julho de 2024


as cobras e as galinhas
os lagartos e os peixes 
me ensinam 
aquilo que eu nunca vou aprender
mesmo assim não desisto
dentro de tudo aquilo que existe
quem é que sabe
se um dia
dentro de mim 
depois de um dia chuvoso
eu num acabo botando um ovo?


quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

infrutíferas
meus desejos na tua boca
pra me criar
invento um nome
saio na rua numa liberdade violenta
que me abraça e me pune
não me explico
não lhe dou satisfação
não almejo seu perdão
 
das frutas
todas quero
ao alcance 
de minhas mãos
 
vivo

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

pra enterrar nosso amor 

não preciso construir uma piramide

nem um mausoléu estilo taj mahal

coisa pouca e breve que ele foi

coisa pouca e leve que ele é

ainda bem eu festejo

pra enterrar nosso amor

nele enxergo uma semente

e faço plantio direto no berço

domingo, 27 de março de 2022


no pulo dos pardais
nas flores do jerimum
no canto noturno das rãs
os dias passam 
as folhas caem
outras nascem
as mãos que por ora engrossam 
conquistam maior afinidade com os espinhos
isso tudo é tão comum
água aparada na bacia
casa de abelha 
os pés crescendo ali
uma chibanca que descansa na sombra 
depois do almoço
querendo digerir essa vontade danada
de chamar um cupim
pra roer a porta do tempo
eu não me importaria
aliás eu gostaria
de numa enxertia
ser o seu cavalo
tudo aquilo que vai ficando 
nem no começo nem no fim
mas no meio do poema 
bendizer o vaso de um floema
enquanto isso os galos
botam o sol pra dormir 
e as estrelas vão germinando
lá longe
lá longe

segunda-feira, 7 de março de 2022

deixo guardado um mistério
no fundo de tua axila
 
peito e umbigo já são muito requisitado
pra esses assunto de abrigo
 
o mundo é um cacho de banana com carbureto
pra amadurecer mais cedo
 
há muitas formas de abreviar a vida
ou esconder um segredo
 
todavia meus olhos continuam a salivar
com a gostosa castanha que envolve tua pupila 

ladainha


 
cavar um poço na tua memória
chafariz de ladainha 
aparar o vento numa bacia 
mais tarde arear as ideias
refletem as panelas ariadas
a dor oca da caristia
governo de si e a liberdade de escolha 
dos que sentem fome
como aquele dia
como ter uma arma apontada na cabeça 
o mundo segue tudo segue
estender os lençóis freáticos
e deixar secar num varal
vender
vender tudo
chove tanajura nessa tarde
e corre um cavalo 
dentro de ti
e dói 
dói muito