sábado, 28 de outubro de 2017

atalho que não me leva a lugar algum

virar os olhos ao avesso
o sol queimando as retinas
não tinha cortina na casa
mas tinha pertinho da asa
alguns objetos cortantes
pra não cortar as asas
abri o peito
doeu mais o peito aberto
do que a falta das cortinas e de ti
as muriçocas picam dentro de meu coração
e coça
faz aumentar a saudade essa coceira toda
eu coço porque é bom
quando a saudade é muito grande 
em tamanho e intensidade
mais difícil é de matar
tu num acha?
vem cá, vem
me diz o que tu acha
tu
palavra bonita
mas não posso me perder
a estrada é tão grande
bendizer infinita
e meu peito ta aberto 
e eu preciso seguir
e o mundo não me espera
e eu espero
mas o mundo não me espera
desculpa todas as desculpas
e não saber onde colocar as mãos
os olhos
a boca
deixa pra lá, sim?
não?
....
não é mentira, é invenção.
eu gosto de escrever pra quem não existe,
muito embora eu prefira não.
deixa a ferida aqui
quietinha
vai cicatrizar
e a cicatriz vai ser
como o infinito costurado sobre o peito.

por um triz
eu não escrevi
isso pra ti.

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