terça-feira, 23 de abril de 2019

por medo do que as palavras têm a me dizer, num escrevo
por medo do que as imagens tem a me ilustrar, num sonho, num desenho
nesses dias, vivo de maneira quase que dormente
quase, porque quando não me lembro de esquecer, vem uma coceira debaixo do meus peito
que lembra que naquele dia eu cavei um buraco na terra
e enterrei o que não podia carregar comigo
mas por desacaso do destino estamos no inverno
e tem chovido quase todo dia
nasce milho feijão fava beringela melancia
e que pode ta nascendo também aquiloquenaquelediaeuenterrei
pode ser que
num sei se é
porque num tenho coragem de ir lá olhar
fico pensando de longe às vezes quando bate a coceira debaixo dos peito
tenho medo, sim, porque sei que num posso com isso
num devo
num alcanço
num mereço
e quando bate o desejo é por inconsequência minha, falta de vergonha na cara
daí que quando atravesso a rua às 6h da manhã pra ir comprar pão, num penso em nada, mas quando penso
é que vai ser gostoso comer um pão quentinho com café e às vezes depois de pensar isso
eu penso em ti
não porque tenho vontade de merendar contigo ou porque quero saber se tu gosta de mergulhar o pão no café, num é por isso não.
se nessa hora penso em ti, é porque me bate a curiosidade de saber
se debaixo dos teus peito, às 6h da manhã quando tu atravessa a rua pra comprar pão, se coça também, debaixo dos teus peito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário