sábado, 18 de julho de 2020

ferida

um dia, ao passo dos meus 6 anos, no recreio da escola, uma menina, sara é seu nome, a qual eu considerava amiga, me olha e diz:
ei, não posso mais brincar contigo
minha mãe não deixa eu andar com gente
que é assim
escura.

como dói.

nao lembro o que fiz em seguida, mas lembro da sensação que vinha da barriga até a garganta. à noite, talvez, tenha chegado aos olhos, não sei.

acessei hoje essa memória, às seis horas da noite. assim, do nada. não lembrava, mas ao lembrar, lembrei.


como dói.

um dia sara, quem sabe?

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