domingo, 9 de agosto de 2026
abstraio
domingo, 19 de outubro de 2025
endoideço
a vida me faz delirar
me descubro
todo dia
é inédito
dor ou alegria
ou tudo que cabe
no meio disso
a vida me toca
na dimensão da poesia
pra transbordar me arrepio
em palavras
as vezes coisa pequena casual da rotina simples ordinária
as vezes extravagante gigante ofegante colorido extasiante
dor alegria
os momentos que escrevo são minoria
que por serem forte preenchem
muito espaço
ainda assim apesar de
a maioria dos momentos
em que sou tocado pela
poesia eu
apenas vivo
sábado, 28 de setembro de 2024
domingo, 1 de setembro de 2024
não fugir nem encarar muito fortemente a palavra
com ela tudo de brincadeira
aproveitar o tempo da semente
isso que pode vir a ser qualquer coisa
fruta podre comida de bicho
fazer mais que falar
o pensamento é um balde cheio d'água
a palavra é a roupa pra lavar
passa os dia tudo chovendo
desperdício de tempo não
mas um bocado de frase sem ter pra onde bodejar
água seguindo o seu caminho
vai desdobrando as raivas de dentro
palavrão do tamanho do mundo
desejar tudo de ruim
fogo ardendo gelado o coração um pano de chão molhado
um pião rodando num quarto fechado até que passe que passe que passe
o balde escorrendo faz tempo
grito entalado feito madrugada esperando o galo cantar
encanto sem letra nem palavra nem frase
um pouco do que se aprende observando e fazendo
por isso essas letra aqui tudo rebolada sem dizer nada
acumular besteira é a aptidão primeira de tudo q pode ser descrito
e jogar fora é a brincadeira de maluvido
julho 2023
terça-feira, 30 de julho de 2024
quinta-feira, 12 de janeiro de 2023
quinta-feira, 29 de dezembro de 2022
domingo, 27 de março de 2022
segunda-feira, 7 de março de 2022
ladainha
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022
se o mais perto de terra que me chega aos pés é esse solo compactado?
cavo
a sucessão do capital quer transformar tudo em chão cimentado
temo
olho para o lado as pessoas estão com fome
e a terra está cercada
com muito gado muito gado
tem segredos que não podemos esquecer,
mas sinto que aos poucos estou me esquecendo
meu bem
tento com muita força guardar comigo
o movimento das mãos
os caminhos que me levam a estabelecer comunicação
com ela
como posso fazer comida
como posso fazer amor
como posso ser coletivo
como posso matar, como posso viver
tenho medo tenho medo de me esquecer
sementes geneticamente modificadas
são programadas pra não se reproduzirem mais
frutos inférteis a lambuzar nossa boca
o alimento envenenado está a nos contaminar a vida
confundindo os sentidos
erro a direção
não são de plástico minhas intenções
mas o delírio do consumo
pode acabar por me colorir o dia
preenche de lixo o vazio
me faz acreditar: banal é o que é real
os olhos as mãos os pés o indizível o intocável
acho que estou me esquecendo
ontem morreu mais um rio
e não pude chorar nem uma lágrima
de morte morrida eles também mata
porque também sou bicho nato
só que não me acostumo nunca
com porcaria de assassinato
quero cavar berço não quero cavar cova
quero cavar berço não quero cavar cova
quero cavar berço eu não quero cavar cova
nele plantar feijão e ver crescer os caroço
colher cozinhar comer
isso é desejo primeiro
quando tudo ainda é abstrato
desejo fundador
por a boca sentir o gosto comer
mas como o fazer
nessa terra banhada a sangue
e glifosato?
monocultura e mata mato
quanta gente também num mata?
injusto é o velho e o novo normal
tipo fome oculta mascarada com açúcar
senhores de engenho modernos
continuam a defender seus canaviais
“desastres ambientais são castigo divino,
deus sempre sabe o que faz”
mas eu sei que no escuro da noite
eles sentem medo que essa gente também escura
decepe suas brancas cabeças
nada de divina, é justiça social
quando proibiram os tambores
esqueceram dos que trazíamos no peito
ainda que esqueçamos tudo
continuará o batuque aqui dentro
tem segredo que nunca poderemos tocar
como um amuleto, num tem jeito
é o que ainda me dá esperança de acreditar
e sim, eu sei que falo besteira
e misturo todos os assuntos
nasci com essa avaria de confundir os significantes
não deixo de pensar
em toda merda, em toda dor
me desculpe
acho que minha alma está ferida
ainda assim sinto
o peito querendo se abrir
peixes de água doce e salgada aproveitam por mim
céu nuvem cor pétala pedra tronco areia gota
transmuto-me pra tocar aquilo que ainda não alcanço
corpo futuro
de mundo
de sonho de saliva e muita comida
buscar reflorestamento e reforma agrária
também no solo do pensamento
aos poucos, avanço
acreditar pra construir o caminho
sabendo que ele não se faz sozinho
guardar todas as sementes da paixão
tem coisa que nunca sara
mas desejo também que a gente nunca pare
há de ser possível apesar de toda dor
como posso me aproximar do amor?
ainda não sei
então
por ora,
me aproximo
da palavra
quinta-feira, 27 de janeiro de 2022
e fala
fazer uma colagem
e o que não
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
segunda-feira, 17 de janeiro de 2022
sábado, 15 de janeiro de 2022
no meio as vezes tem um bocado de coisa
penso mais do que faço
o que falo tá no meio
terminar o ano dormindo
começar o outro ano sonhando
amanhã não me espera
embora eu espere por ela
sentir com a cabeça
rei de espada dentro dos peito
conhecer demora
todas aquelas cidades alagadas
teus olhos molhados
desse lado seca braba
de minha boca, nem saliva
mas não apresso
como se a partida num ficasse
a cada dia mais perto
quero ter a paciência de um tempo
que não se conta pelas horas de um relógio
e tudo muda
de caju romã acerola
crescer pra dentro demora
mais até que conhecer
não dá pra botar no umbigo o mundo
nem tentar qualquer outra coisa mais imunda
de qualquer forma
o caminho será injusto
por isso desejo tanto preparo
e ainda assim
deixo aberto os poros de meu rosto
para que entre com calma
no caminho inverso ao das espinhas
olha pra mim não
olha pra fora
conta estrela areia flor
nenhuma novidade
quero o simples muito mais que o exagero
....vontade sincera
até depois
depois
e depois
com sentimento de muitos ontens antes de ontem,
quarta-feira, 24 de novembro de 2021
quinta-feira, 11 de novembro de 2021
agradeço
e meu coração acerola
poeira fina por toda casa
por toda rua
sonhar subindo altas escadas
cedo acordar varrer a calçada
o tempo cortando a pele formando novas rugas
as primeiras de todas as outras que um dia virão
um toque perto do peito
escuto fundo sentir no pelo
o que mata, eu semente pequenina de mato
outros pés nascendo perto
do meu pé douvido
a palma a planta do pé
penso
longe ainda tanta coisa cabe
na distâncias das cidades
mas o entendimento é esse
que o fruto do caju é o cajueiro
e o do cajueiro, a castanha
nada de extraordinário
se meu coração acerola
vermelhinha a bater
na lembrança de um sabor e outro
toque doce-amargo