terça-feira, 13 de setembro de 2016

é que a sede não se mata numa golada só e não sei como posso dizer isso.
são muitas viagens.
risco as paredes e em verdade, tudo que posso. passo. fico. respiro.
o sabor dos encontros, a grandiosidade de ser bicho que se encontra. falto chorar.
mas sim, não sei como posso dizer. escorreu, sabe? pelas mãos, pelas pernas, pelo rosto. me lambuzei toda. lambi o cheiro pra que hoje tivesse guardado aqui.
estamos aí.
mora um mistério bobo nas tuas palavras, me falam, eu digo que é só assim que sei ser.
não sei mais o que dizer. ou não sei dizer.
sei que foi de sol da madrugada. piscar de borboleta. assovio de chamar cobra. flor na idade. e milhões de viagens mais.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

coincidentemente, desde que parti, nunca mais te perdi.

estado da matéria
fluidez solidificada
travada

relembr.ando
o instinto dos seres voadores
muriçoca bem te vi cilios mosca
que nada me tire a liberdade de ser
bicho solto
gritam-me louca!
eu sorrio e assumo que sim, solta.
flashes perpassam minha cabeça que se perde entre cores e piscares noturnos.
amanhece.
 e já é outro dia, outra cor, outro respir.ar. estamos intima e profundamente ligados à transitoriedade da cidade.
é que, meu bem, nós transitamos de forma intransitória no coração das pessoas.
passar como o passado e os passarinhos requer treino e habilidades extracurriculares.
que maestria é ser matéria dançante em plena correria. embriago-me. deliro. lírios, tu, se desmanchando todo em lírios. uhh,
delírios.
me fumou, me bebeu, me sonhou, me chamou, me mordeu.
qual o melhor caminho pra se chegar perto?
qual o melhor caminho pra se ir embora?
ainda a des.cobrir e it's a long long long way.


chapou.


domingo, 28 de agosto de 2016

domingo, tudo dormindo
eu que amo indo
e odnatlov
acordei respirando mais leve
das belezas de se saber
passarinho que reconhece
a hora de pousar e alçar vôo
me arrepio toda pens.ando
no mistério que me chama e vou
atrás de desbravar os mundos
que habitam uma tal de.
sempre fui de ser feliz
por qualquer coisinha pouca
olhos nariz cílios boca
por um triz
vim parar aqui
olho com olhar de quem quer guardar
e me preparo pra partida
uma banda do meu coração já aceita
que nem tudo se pode abarcar com as mãos
a outra, apressada, já com o corpo no mundo, delira sobre os novos sabores que escondem os inesperados caminhos
caminho
respiro fundo
esse cheiro azul e lento de domingo
me traduziu e eu me deixei ser lida
.luz.
domingo, tudo dormindo
eu indo
e sorrindo
ainda
linda
..



.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

eu nada eu nado

procurar brechas
respirar calma
amar baixinho
existir de pouquinho
ir sem pressa
olhar em volta
olhar pra dentro
aceitar
deixar
piscar
ser
reconhecer
chorar
falar
rir
despedir
dormir
escutar
.
.
.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

razão?

seria ilusão de ótica, a vida, ou tenho, eu, essa imaginação fértil demais que me faz acreditar em viagens irreais?
acho bonito o choro, o riso, o desabrochar e despetalar.
a lua cheia faz a gente delirar, num é? é essa luz toda que lumina de sim e ilumina todo não, me deixa assim, confusa. perco os caminhos, erro os cálculos.
passo o dia por esperar abarcar nos braços os seres de energia singular dos quais eu compartilho a existência.
meu tão gasto amor, me deu hoje à noite, o melhor presente que eu poderia ganhar
um abraço apertado com tanta verdade
que saí de lá voando com o coração tranquilo e a recíproca foi de uma veracidade que... inefável
como sempre.

há de se sair pelo mundo espalhando olhos nos olhos. nas minhas ilusões do que é racionalidade, talvez eu esteja completamente enganada, mas a despeito de todos os -ão, só me entrego ao coração
então
.
.
.

domingo, 14 de agosto de 2016

te confundindo pra te esclarecer

tudo ainda muito preso aos velhos conceitos. já não aceito.
revolucionar não é isso que chamamos de viagens de fuga.
o raso da piscina. mergulho e quebro a cabeça, pela milésima vez.
não posso mais esquecer. não se resume a vida naquilo que queremos viver, às vezes é onde não queremos que se esconde os mais deliciosos sabores, sim?
as palavras-chaves já não servem para nada. não as digo mais. não quero abrir portas só pelo medo de que se não for essa, outras não poderão se abrir.
quero sentir a chuva sem medo por estar sozinha. quero ouvir o desconhecido e lamber poesia.

demorei, mas acho que entendi. não há explicação. no futuro ainda restará essas cores todas que guardaremos com muito carinho na memória, e eu sorrirei sempre que lembrar, juro.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016


No meu próximo aniversário pretendo saber que caminho quero seguir. Se quero ser pétala de flor, barulho de mar ou sei lá.
Minha casa continua no mesmo lugar.
Lar nem sempre é onde você quer estar. Hoje eu tô aqui e quero estar aqui. Isso deveria ser comemorado.
Estou bêbada e talvez não faça sentido tudo isso que escrevo. As poesias que vemos quando traduzidas perdem um pouco sua essência, num é? ou nós que nos perdemos enquanto as traduzimos? Desculpa todo esse acaso que me desencontra, já o ocaso hoje foi lindo e tinha a cor dos teus olhos quando sorrindo.
Quem pensa a cidade? Em quem a cidade pensa?
No ônibus, eu penso em tudo que nunca verei e nas pessoas que nunca conhecerei. O mistério tem esse charme singular que nos respira por dentro e por fora. Eu gosto.
Já vou. Preciso escutar.