quinta-feira, 22 de novembro de 2018

me conta um segredo

a um dia da lua cheia
meu coração não fede e nem cheira
alice ruiz diria
alguma alma, mesmo que penada, me empreste suas penas?

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

nove horas
noite em bananeiras
vontade de estar na rua
contando vagalumes e estrelas

sábado, 3 de novembro de 2018

um dia
quando tudo estiver mais calmo
eu vou escrever pra ti
com detalhes
dos caminhos impercorríveis
das lembranças que vão e das que ficam
dos por-do-sóis
dos por-da-luas
a noite nua
carrinhos de mão cheios de imaginação
o dia que não vai nascer
a noite que não vai dormir
eu vou escrever um dia
no mais, estou tranquila quanto a isso
lembro do sonho que tive
nele só poderia te ouvir
havia uma parede
e eu chamava por ti
mas tu não vinha
mas tu não vem
e tá tudo bem



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

uma dor no meu dedo anelar esquerdo

diz-se que por este dedo
se passa uma veia que sai dali
e vai direto ao coração
é nele onde são colocadas as alianças
e outros adereços bregas

há uma dor no meu dedo anelar esquerdo
fora isso há fora de mim
tanta coisa acontecendo, notícia, geografia física, casa, amiga, tiro, pedra, fascismo
que não consigo processar
mas meu corpo tem tentado me falar
há uma dor no meu dedo anelar esquerdo

sábado, 20 de outubro de 2018

andar amada

o país pegando fogo
e sei lá como
ainda tenho cabeça
de pensar em poesia
há uma rua no meu imaginário, dobro sempre que ela me chama. as portas pressa rua me parecem sempre abertas. e aí que andando sozinha à noite numa cidade que pouco conheço, perigos à esquina,
me deixo ser levada por essa vielinha
que me chama lá dentro. dobro nela antes de dobrar na rua do medo. ela me puxa conversa sobre amor, eu que me faço toda ouvidos quando alguém me começa a contar de seus amores
vivos ou já vividos.

gosto de acreditar
que a melhor forma de conhecer alguém é observar a forma como ela fala de seus amores. quando começo a amar alguém reverencio antes todas as pessoas que ali naquele corpo amaram ou amam, como um gesto de respeito e licença. nisso não me atenho só aos amoresromânticossexuaisseiláoque, gosto de me atentar a todas as variações em que ele pode se mostrar. lembro de meus amores e converso com eles à distância.
o amor sendo meu maior escudo, acabo por me sentir protegida
aos que já foram aos que estão e aos que virão
agradeço e os saúdo.
saio pela rua trilhando mapas que a geografia não alcança, de peito aberto
avanço
.

campina grande, 19.10.18}

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

afio . confio

estupidez minha
talvez
há o que minha imaturidade não alcança
ainda
preciso crescer
e crescendo olho a lua
aumenta a proximidade
entre eu e ela
martela em mim
o desejo do que é mistério
entre as facas y canivetes
que caem do céu
há vagalumes y estrelas
que me guiam ao
inefável

.chegarei