terça-feira, 18 de junho de 2019

segunda-feira, 27 de maio de 2019

diabo



acordar cedo olhar pro lado não reconhecer a casa
vou puxar só uma carta
ao meio dia perceber
estou molhada
caminhar mais rápido
cheia de dedos
nas mãos e nos pés
embaraça o andar e o tocar
e no entanto não sei onde por as mãos
umedecidas eu
tento me adequar ao fuso horário
de meu corpo
demora um pouco pra mastigar
o oito e o setenta
no meio da rua fico assim
tentando decifrar disfarçar
fingindo que pra mim
tanto faz o frio tanto faz o quente

segunda-feira, 20 de maio de 2019

loucura

tiro um tarô
diz que não devo gastar meu tempo sonhando no que me foge o alcance das mãos
saio na rua
observo o olhar de 2 homens sobre mim
me apaixono por alguém
rápido assim
mas longe não paro tempo de pensá-la
volto pra casa matutando
o óbvio
começo então a enxergar possibilidades
se avanço
descongestiona também aí
um passo pra trás um passo pra frente
coragem é também admitir olhar no olho chorar desistir lamber piscar olhar pro lado
não há sinal de trânsito na cidade em que moro
mas tenho no quintal um pé de laranja
que é mesmo que ser um sinal
estamos criando formas de comunicação
me aperfeiçoo na habilidade de
ir
ou de
parar

segunda-feira, 6 de maio de 2019

mais do que lhe abençoo

quando a imagino do meu lado esquerdo
do peito
e da cabeça
reverencio à minha mãe
no iogurte caseiro que faço na hora que me dou fala no momento em que me deixo ser corpo
quando enfrento algo quando intuo quando choro quando brigo quando acalmo
nas vezes que me apaixono ou digo que amo ou nas vezes que digo o que sinto nos dias que olho pra trás na minha casa nas minhas asas nas lembranças de minha vó
reverencio à minha mãe
e me curvo
quando medito quando penso em África quando acordo às 4 da manhã quando viajo
quando tenho coragem
nas sementes que planto nas malas que faço na razão que uso no dinheiro que gasto na comida que como
reverencio à minha mãe
e me curvo
pela vida pelos pés no chão pela força pela serenidade pelo amor pela distância pela generosidade

quinta-feira, 25 de abril de 2019

inverno astral aqui dentro e aqui fora
faz 19 graus em solânea
amanhã vai acordar chovendo
há poucas coisas que senti de ontem pra cá
num espaço de 24h num tenho tempo de sentir muita coisa
o menino que mora comigo disse que ontem eu falei enquanto dormia
não tive coragem de perguntar a ele o que foi que eu falei
hoje ao ir dormir vou acender uma vela
daqui a menos de um mês eu completo um ano de vida a mais no mundo
ainda não aprendi a escrever em terceira pessoa nem a falar em público nem a falar de mim nem a ficar nem a fechar portas
talvez eu seja exigente demais dura demais cruel demais imatura despreparada inconsequente invasiva constrangedora incoerente intransigente acomodada preguiçosa óbvia chata egoísta egocêntrica inexperiente insensível desimportante boba esquecida rancorosa apaixonada iludida gasguita irresponsável medrosa chorona fraca prolixa estranha superficial mentirosa burra alienada incompreensiva torta desajeitada descomprometida.......
hoje ao ir dormir vou acender uma vela
e antes disso vou comer um dente de alho
e assoar o nariz
e me olhar no espelho


terça-feira, 23 de abril de 2019

por medo do que as palavras têm a me dizer, num escrevo
por medo do que as imagens tem a me ilustrar, num sonho, num desenho
nesses dias, vivo de maneira quase que dormente
quase, porque quando não me lembro de esquecer, vem uma coceira debaixo do meus peito
que lembra que naquele dia eu cavei um buraco na terra
e enterrei o que não podia carregar comigo
mas por desacaso do destino estamos no inverno
e tem chovido quase todo dia
nasce milho feijão fava beringela melancia
e que pode ta nascendo também aquiloquenaquelediaeuenterrei
pode ser que
num sei se é
porque num tenho coragem de ir lá olhar
fico pensando de longe às vezes quando bate a coceira debaixo dos peito
tenho medo, sim, porque sei que num posso com isso
num devo
num alcanço
num mereço
e quando bate o desejo é por inconsequência minha, falta de vergonha na cara
daí que quando atravesso a rua às 6h da manhã pra ir comprar pão, num penso em nada, mas quando penso
é que vai ser gostoso comer um pão quentinho com café e às vezes depois de pensar isso
eu penso em ti
não porque tenho vontade de merendar contigo ou porque quero saber se tu gosta de mergulhar o pão no café, num é por isso não.
se nessa hora penso em ti, é porque me bate a curiosidade de saber
se debaixo dos teus peito, às 6h da manhã quando tu atravessa a rua pra comprar pão, se coça também, debaixo dos teus peito.