quinta-feira, 16 de julho de 2015

azul cor de desejo



a cidade chora em mim.
me olha nos olhos
e chora
no meu coração
no meu pulmão
por entre minhas pernas
por debaixo dos meus pés
pelas minhas costas
enfim

será que ela não tem pena de mim?
sim,
a cidade
a vontade
à vontade
não que não seja só viagem
mas
...
acho que não vão me entender
...

pesa minha bagagem
ou sou eu que peso?
é que enquanto todos olhavam adiante 
eu reparava nos detalhes
na cor, sabor, calor...

e aí deu pra acontecer
de meus calos quererem voz:
se agora tudo chove e grita
por que eu também não,
que temo e giro?

agora chove ela e chove eu
os olhos marejados
de mar
de sal
de sol
e ar~~~
[sem muito esforço, ainda posso me sentir dançando e sendo lambida por tais ondas]
...

ainda muito a aprender com as águas dessa v.ida
!

e
não morro afogada
no fim

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