corri pelos dias tentando seguir o vento, ele fugia. eu, que não sou fuga, nem vento, parei.
respirei.
inspirei-me fundo.
e de tanto construir meu ser com inutilidades, não me aborreci de sentar com o tempo e esperar o vento chegar. é lindo o desperdício do tempo com o nada quando ele é essência, quando ele é matéria prima da arte e da rima.
aí me convenci de pensar noutras coisas enquanto esperava a brisa bater.
pensei no que não se pensa. como? nem sei.
a folha no meio da rua me perguntou se eu queria ser pedra ou se eu queria ser flor, disse que as pedras tem asas, mas ficam paradas e as flores tem cor pra poder voar além da asa!!!
no meio do pensamento uma voz de fora me chama e pergunta sobre as poesias que eu faço.
acordo do transe.
de volta à vida irreal.
uma voz de dentro me chama e fala sobre as poesias que não faço.
antes mesmo que eu possa responder, vem o vento, forte, forte, soprando pra mim.
bateu a brisa.
eu sabia que ele viria, enfim.
o mundo faz a ventania ou é a ventania que faz o mundo?
não sei.
mas desconfio
se eu não faço poesia
não seria
a poesia que me faz?
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