sábado, 22 de maio de 2021

reler meus antigos escritos é sempre uma surpresa

era bonito o jeito o encaixe das palavras às vezes rio às vezes choro

reencontrar aquilo que fui e que nalgum lugar ainda sou

aprendo tanto como se não soubesse o que a anos atrás eu sabia

eu saberia

tenho um irmão de 29 anos, seu nome é italo e não nos falamos

não tenho seu número do zap, nem o sigo nas redes sociais

o conheço apenas por suposições e pelo o que dele ouço falar

também pelas lembranças da infância, pois

acho que subestimei sua presença em minha vida

hoje no meio de uma pandemia 

temo sua morte e ao ir dormir lhe desejo sorte

quero ainda ter a oportunidade de lhe reconhecer

olhar nos seus olhos tão parecidos com os meus

hoje ao bater uma selfie lembrei de você

te carrego em meu rosto

e nem é pela cicatriz do murro que tu me deu nos seus 19 anos

veja só, 10 anos se passaram

e ainda estamos .aqui. nesse impasse

 escrevo hoje por ontem e por amanhã

tem coisa que não se separa

o tempo............................

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sigo catando feijões.

sábado, 8 de maio de 2021

 escrever com o teclado é doideira isso tô no inicio parece que as palavras não vão sair tenho um de javu pra frente a sensação de que vai acontecer aquilo lá na frente aquilo que já conheço bem a sensação e me doeu então mas penso mais uma vez posso driblar o destino fazer diferente, sim? ilusão ou verdade não sei nessa altura do campeonato os dias são quase todos iguais se diferenciam em intensidade e crueldade e inércia e vontade de sair de casa e não saber não ter certeza se amanhã quando eu acordar vou receber alguma notícia muito triste desesperadora agora é noite me preparo pra dormir escrevo só pra quebrar a rotina e canalizar essa energia minha gata matou um vagalume que entrou no meu quarto poderia fazer uma metáfora mas não quero não consigo respondo uma mensagem antiga juro pra mim verdade não lembro meus sonhos dormidos os acordados eu lembro de alguns da vontade de estar viva daqui um ano daqui oitenta anos minha vó me deu a herança da boa memória tecnologia de sobrevivência engraçado que quando escrevi sobre ela foi falando de quando ela esqueceu meu nome contradição ou talvez eu tenha ficado um pouco chateada com isso olhar de frente pra minha pequenez geralmente não me causa a sensação de que tem um cabelo na minha língua bem lidar secularmente com todas essas mortes matadas gera um buraco tão grande dentro da gente e aí usar esse espaço pra cuidar da terra cultivar outras coisas gerar fruto gerar semente que é injusto é mas poucas são as alternativas seguir acreditando ou não risco a parede fazendo um feitiço é segredo ainda mais tarde te conto um cheiro

terça-feira, 4 de maio de 2021

candeeiro

 as luzes dos teus cabelos a alumiar meus caminhos

só tenho medo de, sem querer, acabar por...

me incandear a vista.


domingo, 11 de abril de 2021

em casa

 estou lendo um livro que se chama

como desenhar pássaros

eu não sei voar

mas estou aprendendo  a fazer

minhas próprias asas


 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

quero gosto de fruta tirada do pé

num quero suco de pozinho não

quero chupar até o caroço

depois rebolar no mato

lambuzada molhada

lamber os dedo

dividir contigo esse doce azedo

é assim que quero

com sinceridade de fruto

que intenciona a semente

[construiremos um novo mundo]



dentro de mim corre um riacho

quando é tempo de estiage

ele seca de num ficar uma lágrima sequer

agora se o inverno é bom

em janeiro já tem água

nessa época

quando é de madrugada eu acordo pra sonhar

molho antes de tudo os dois pés

um pé pede licença e o outro pede a bença

na correnteza

passa peixe, desejo, passa seixo, passa vontade

e passa até segredo

tem o que fica pra trás 

e o que vai ficando pra frente

sim, eu sei

há algo naquele segredo

que ainda não ouso tocar

reconheço com respeito

pedra pequena que sou 

frente esse imenso lajedo

e não apresso, nem adivinho

calma, observo a água passar

quero sem despertador

ouvir o galo cantar

e quando é de manhã cedinho

ainda molhada 

o primeiro mijo do dia

vai descendo quente de dentro de mim

vou lembrando a afluente sou

e então 

e então 

eu deixo ir

embalagem



fruta a gente chupa até o caroço

e quando acaba rebola no mato

com a simplicidade de quem faz parte

caroço é semente de futuro

quanta ancestralidade

há num caroço coberto pelo fruto?


comida enlatada não tem caroço