domingo, 28 de agosto de 2016

domingo, tudo dormindo
eu que amo indo
e odnatlov
acordei respirando mais leve
das belezas de se saber
passarinho que reconhece
a hora de pousar e alçar vôo
me arrepio toda pens.ando
no mistério que me chama e vou
atrás de desbravar os mundos
que habitam uma tal de.
sempre fui de ser feliz
por qualquer coisinha pouca
olhos nariz cílios boca
por um triz
vim parar aqui
olho com olhar de quem quer guardar
e me preparo pra partida
uma banda do meu coração já aceita
que nem tudo se pode abarcar com as mãos
a outra, apressada, já com o corpo no mundo, delira sobre os novos sabores que escondem os inesperados caminhos
caminho
respiro fundo
esse cheiro azul e lento de domingo
me traduziu e eu me deixei ser lida
.luz.
domingo, tudo dormindo
eu indo
e sorrindo
ainda
linda
..



.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

eu nada eu nado

procurar brechas
respirar calma
amar baixinho
existir de pouquinho
ir sem pressa
olhar em volta
olhar pra dentro
aceitar
deixar
piscar
ser
reconhecer
chorar
falar
rir
despedir
dormir
escutar
.
.
.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

razão?

seria ilusão de ótica, a vida, ou tenho, eu, essa imaginação fértil demais que me faz acreditar em viagens irreais?
acho bonito o choro, o riso, o desabrochar e despetalar.
a lua cheia faz a gente delirar, num é? é essa luz toda que lumina de sim e ilumina todo não, me deixa assim, confusa. perco os caminhos, erro os cálculos.
passo o dia por esperar abarcar nos braços os seres de energia singular dos quais eu compartilho a existência.
meu tão gasto amor, me deu hoje à noite, o melhor presente que eu poderia ganhar
um abraço apertado com tanta verdade
que saí de lá voando com o coração tranquilo e a recíproca foi de uma veracidade que... inefável
como sempre.

há de se sair pelo mundo espalhando olhos nos olhos. nas minhas ilusões do que é racionalidade, talvez eu esteja completamente enganada, mas a despeito de todos os -ão, só me entrego ao coração
então
.
.
.

domingo, 14 de agosto de 2016

te confundindo pra te esclarecer

tudo ainda muito preso aos velhos conceitos. já não aceito.
revolucionar não é isso que chamamos de viagens de fuga.
o raso da piscina. mergulho e quebro a cabeça, pela milésima vez.
não posso mais esquecer. não se resume a vida naquilo que queremos viver, às vezes é onde não queremos que se esconde os mais deliciosos sabores, sim?
as palavras-chaves já não servem para nada. não as digo mais. não quero abrir portas só pelo medo de que se não for essa, outras não poderão se abrir.
quero sentir a chuva sem medo por estar sozinha. quero ouvir o desconhecido e lamber poesia.

demorei, mas acho que entendi. não há explicação. no futuro ainda restará essas cores todas que guardaremos com muito carinho na memória, e eu sorrirei sempre que lembrar, juro.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016


No meu próximo aniversário pretendo saber que caminho quero seguir. Se quero ser pétala de flor, barulho de mar ou sei lá.
Minha casa continua no mesmo lugar.
Lar nem sempre é onde você quer estar. Hoje eu tô aqui e quero estar aqui. Isso deveria ser comemorado.
Estou bêbada e talvez não faça sentido tudo isso que escrevo. As poesias que vemos quando traduzidas perdem um pouco sua essência, num é? ou nós que nos perdemos enquanto as traduzimos? Desculpa todo esse acaso que me desencontra, já o ocaso hoje foi lindo e tinha a cor dos teus olhos quando sorrindo.
Quem pensa a cidade? Em quem a cidade pensa?
No ônibus, eu penso em tudo que nunca verei e nas pessoas que nunca conhecerei. O mistério tem esse charme singular que nos respira por dentro e por fora. Eu gosto.
Já vou. Preciso escutar.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

vivo de me preparar aos fins, percebi na tarde dessa quarta qualquer.
não precisa ser assim, eu me disse cuidadosamente... eu sei que foi dura, a vida, ao ensinar que era esse o caminho a se seguir. ora, mas o que é então o mundo, senão os infinitos caminhos e possibilidades?
ensaio as despedidas que nunca são ditas e quando sou eu que saio, fujo sem olhar pra trás,  quando não sou, e se me dão tchau, me pego sempre desprevenida, talvez planejando outras tantas impossíveis saídas.
não há como adivinhar. o que a intuição tanto tenta falar são outros quinhentos, é sobre voar em plenitude, ou em solitude, sei lá...
viver um dia de cada vez ainda nos levará além, eu sei. o que não sei é em que rua pararemos de nos questionar o porquê do mundo nos tatear assim. o significado talvez seja esse gosto amargo na ponta da língua, e não há tradução para o habitual português. lambi com os olhos uma foto que vi, hoje a tarde, fiquei nostálgica. as cores eram outras há uns anos atrás, outras virão também, e o que ficará desses dias em que não sabemos o que significar é apenas o cheiro de degradê que nos invadirá a memória sempre que lembrarmos de.
enquanto isso, vivamos, sem pensar que morreremos num minuto próximo. os futuros, muitas vezes, são apenas um furo no presente por onde o passado começa a jorrar.

hoje eu desejei aprender a falar
assim
pra fora

domingo, 10 de julho de 2016

quero vomitar esse lugar inteiro
rasgar o rosto deles
gritar
dizer que são todos feios
da feiura mais feia que existe
quero pisar em espinhos
e chorar
abrir uma ferida
em cima da ferida
que já existe em meu peito
quero sentir ódio
e me permitir
só por uns segundos
odiar
depois me rodiar 
e dormir 
e acordar sem lembrar de nada
sem saber quem sou
sem esse peso todo
hoje
se eu pudesse ser
qualquer outro animal
eu seria